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Novos bombardeios contra o último bastião rebelde sírio em Duma

07/04/2018 20h08

Beirute, 7 Abr 2018 (AFP) - O regime sírio retomou, neste sábado, os intensos bombardeios aéreos contra Duma, o último bastião rebelde perto de Damasco, matando 70 civis nas últimas 24 horas.

Também em Duma foram reportados 11 casos de sufocamento, que os socorristas atribuíram ao uso por parte do regime de "cloro tóxico".

A ofensiva lançada em 18 de fevereiro pelo regime de Bashar al Assad, em conjunto com a conclusão dos acordos de evacuação, permitiu a reconquista de 95% do território de Ghuta Oriental.

Na sexta-feira, o regime retomou, após vários dias de calma, os bombardeios contra Duma, depois de negociações fracassadas com o grupo Yaish al-Islam, última facção rebelde em Ghuta e que parece não querer sair. O grupo teria cerca de 10.000 combatentes, segundo a ONG Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Neste sábado, 30 civis, entre eles oito crianças, morreram nos ataques aéreos, segundo um novo balanço do OSDH. Na véspera, os bombardeios deixaram 40 mortos, segundo a mesma fonte.

As equipes de socorristas conhecidos como Capacetes Brancos denunciaram o uso de "cloro tóxico", depois que o OSDH informou de 11 casos de sufocamento. O regime respondeu que as denúncias eram uma "farsa".

"Os bombardeios não foram interrompidos. Não podemos contar todos os feridos", disse Mohamed, médico em Duma. "Alguns pacientes morreram porque não pudemos operá-los a tempo", contou à AFP.

- Sair de Gutha -O regime sírio está determinado a retomar o controle de toda Ghuta Oriental em um momento que, graças ao apoio militar de Moscou, já controla mais da metade do país, devastado desde 2011 por uma guerra que deixou mais de 350.000 mortos.

O poder justifica sua ofensiva em Ghuta afirmando que os rebeldes disparam da região obuses e foguetes contra a capital. No sábado, seis civis morreram nestes ataques em Damasco, segundo a televisão estatal.

Mas o porta-voz do Yaish al-Islam, Hamza Bayraqdar, assegurou que os rebeldes não dispararam contra nenhum bairro de Damasco e consideraram que o regime "viola o cessar-fogo acordado em negociações" anteriores.

Após bombardear durante cinco semanas as zonas rebeldes de Ghuta Oriental e matar mais de 1.600 civis, o poder obteve, por mediação de Moscou, acordos de evacuação com dois grupos insurgentes, Ahrar al Sham e Faylaq el Rahman.

Mais de 46.000 combatentes e civis se viram obrigados a se locomoverem de ônibus à região de Idlib, no noroeste do país - a única que ainda escapa totalmente ao controle do regime.

- Fracasso nas negociações -Sobre o terceiro grupo rebelde, Yaish al-Islam, o OSDH afirmou em um primeiro momento que ele deveria ter se beneficiado de um acordo diferente, que teria permitido a seus integrantes permanecer na cidade e converter-se em uma força de segurança local.

Mas rapidamente as negociações derraparam, por motivos ainda pouco claros.

Segundo a agência Sana, isso aconteceu devido à negativa de Yaish al-Islam de libertar as pessoas que retém em Duma. Outras fontes apontaram divisões internas na facção sobre as evacuações.

Fontes próximas às negociações afirmaram à AFP que Moscou e o regime exigiam a saída dos rebeldes, acumulavam reforços perto de Duma e ameaçavam com uma nova ofensiva.

Entre segunda-feira e quarta-feira, no final de um acordo anunciado pela Rússia mas silenciado por Yaish al-Islam, cerca de 3.000 combatentes deste grupo e civis foram evacuados de Duma para o norte da Síria.

Mas na quinta-feira não houve nenhuma evacuação, e no dia seguinte foi retomada a ofensiva militar por ar e terra.

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