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Veja como o Iraque se transformou 15 depois da guerra

08/04/2018 11h05

Bagdá, 8 Abr 2018 (AFP) - Em 9 de abril de 2003, a coalizão liderada pelos Estados Unidos derrubava o regime de Saddam Hussein. Quinze anos depois daquela invasão, a vida dos iraquianos mudou profundamente.

Confira abaixo algumas dessas mudanças:

- Economia -A queda do regime pôs fim a 12 anos de embargo decretado pela ONU, após a invasão do Kuwait por parte de Saddam Hussein em 1990.

Os 34 milhões de iraquianos voltaram ao jogo do comércio internacional, com quase oito milhões deles vivendo com menos de US$ 2,2 por dia, segundo a ONU.

Com 153 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo, o Iraque é o segundo mais importante produtor da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep). Hoje, com um barril, cujo preço triplicou em relação a 2003, o PIB passou de 29 bilhões de dólares, em 2001, para 171 bilhões de dólares, em 2016.

Mas o país não conseguiu diversificar sua economia, e o governo ainda retira 99% de sua receita do petróleo.

Desde 2003, o setor contribuiu com 800 bilhões de dólares, mas a corrupção garfou 312 bilhões de dólares no país, segundo o Centro Injah para o Desenvolvimento Econômico.

- Política -Único, onipresente e onipotente, o partido Baath desapareceu. Em eleições organizadas com regularidade pela primeira vez em 15 anos, o partido laico de Saddam Hussein deu lugar a várias siglas políticas - para muitos, dominadas pelos dignatários religiosos, ou por líderes tribais.

Um sistema tácito de atribuição de cargos na mais alta cúpula do governo reserva posições para diferentes comunidades, mas os xiitas - dois terços da população - dominam, a partir de agora, as instituições políticas e militares, que foram lideradas pela minoria sunita durante o governo Saddam Hussein.

- Diplomacia -Saddam Hussein combateu o Irã durante oito anos. Hoje, o grande vizinho ao leste é aliado de várias forças políticas e apoio de algumas facções armadas.

A Arábia Saudita, sunita e grande rival regional de Teerã, tenta um retorno ao Iraque. As relações se reaqueceram, recentemente, com várias visitas oficiais.

Entre a Arábia Saudita e o Irã, vizinho da Turquia e da Síria em guerra, o Iraque pede para não ser usado em "guerras por procuração".

Em 15 anos, a imagem dos Estados Unidos evoluiu com o passar do tempo. Os americanos já foram libertadores, ocupantes, inimigos e aliados.

As tropas da coalizão antiextremista liderada pelos EUA trabalham em cooperação com as forças iraquianas para expulsar o EI desde 2014.

- Religião -Outrora estimada em um milhão de pessoas, sendo 600.000 em Bagdá, a comunidade cristã do Iraque, formada de caldeus - os mais numerosos -, assírios, armênios e siríacos (católicos, ou ortodoxos), não passa de 350.000 membros.

Durante muito tempo privados de liberdade de movimento em seus lugares santos, agora, a cada festa religiosa, os xiitas (do Iraque e do mundo inteiro) convergem todos os anos em concentrações multitudinárias rumo aos santuários de Kerbala, Najaf, Samarra, ou Bagdá.

Os anúncios da mais alta autoridade xiita do país, o grande aiatolá Ali Sistani, ganham peso. Foi ele, por exemplo, que mobilizou as unidades paramilitares do Hachd al-Chaabi, cruciais para pressionar o EI.

- Questão curda -Fortemente reprimidos sob Saddam Hussein, os curdos cuidaram para que a Constituição redigida após a invasão lhes desse mais autonomia.

Eles ganharam em território e em prerrogativa. Mas a Constituição deixou inúmeras questões em aberto, e as negociações que se seguiram nunca conseguiram respondê-las.

Em setembro de 2017, Erbil, a capital da região autônoma, tentou uma passagem à força com um referendo de independência.

O "sim" venceu, sem surpresa, mas a consulta dividiu o campo curdo e deflagrou uma resposta severa de Bagdá que enviou tropas e retomou o conjunto de zonas disputadas.

Com um único golpe, Bagdá sufocou o projeto de um Estado viável economicamente, retomando a região autônoma dos campos de petróleo, além de obrigá-los a reverter a receita com essa commodity.