Trump promete retaliar ataque químico na Síria e Rússia adverte para consequências

Washington, 10 Abr 2018 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu nesta segunda-feira que os responsáveis pelo suposto ataque químico na Síria pagarão um "preço alto", enquanto Moscou advertia para as consequências de uma ação contra suas tropas naquele país.

Trump prometeu para "esta noite ou pouco depois" o anúncio de sua resposta ao ataque químico, acrescentando que "todos (os responsáveis) pagarão".

"Estamos discutindo sobre o que faremos sobre este horrível ataque que ocorreu próximo a Damasco, mas será respondido com força", declarou Trump cercado por sua equipe de Segurança.

"Isso é sobre a humanidade, não se pode permitir que aconteça", disse Trump.

Em conversa por telefone, Trump e o presidente francês, Emmanuel Macron, concordaram com a necessidade de "uma reação firme" da comunidade internacional, segundo o Palácio do Eliseu.

O secretário americano da Defesa, Jim Mattis, apontou o papel da Rússia no ataque e advertiu que, por enquanto, não exclui qualquer opção.

O embaixador russo no Conselho de Segurança da ONU, Vassily Nebenzia, revelou que Moscou já advertiu os Estados Unidos para não colocar em risco as forças russas estacionadas na Síria.

"O uso da força sob um pretexto mentiroso contra a Síria, onde, a pedido do governo legítimo do país, estão tropas russas, poderá ter graves repercussões", declarou Nebenzia.

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, exortou o Conselho a agir diante do ataque químico, e reforçou que Washington está preparado para retaliar.

"Chegou o momento de o mundo ver que está se fazendo justiça", disse Haley durante uma reunião de emergência do Conselho.

"A história registrará isto como o momento em que o Conselho de Segurança cumpriu seu dever ou demonstrou seu completo e absoluto fracasso em proteger o povo sírio", declarou Haley. "De qualquer maneira, os Estados Unidos reagirão a isto".

Segundo Haley, os Estados Unidos estão decididos a "fazer o monstro que atacou com armas químicas um povoado sírio a prestar contas".

Nebenzia destacou que o projeto de resolução proposto pelos Estados Unidos ao Conselho traz "elementos inaceitáveis" que vão apenas piorar a situação.

"Tenho medo de que estejam procurando, acima de tudo, uma opção militar, que é muito perigosa".

- EUA pressionam por votação -Os Estados Unidos fizeram circular um projeto de resolução que pede a criação de um novo "mecanismo de investigação independente das Nações Unidas", e pressiona para votá-lo nesta terça-feira.

"O mundo está esperando que o Conselho de Segurança aja e os Estados Unidos levaram em conta vários apontamentos russos em seu rascunho" de resolução, declarou um diplomata, que pediu para não ser identificado.

Washington "está pronto para trabalhar com todos os membros do Conselho visando um consenso", mas "precisa avançar rapidamente" sobre o tema, acrescentou o diplomata.

Os 15 membros do Conselho de Segurança se reuniram na noite desta segunda-feira para tratar de aparar as arestas.

O projeto de resolução prevê um "novo mecanismo de investigação independente da ONU" sobre o controle do uso de armas químicas na Síria, com duração de um ano e possível renovação do período.

A ONU não conta com um mecanismo de investigação dos ataques químicos na Síria desde o final de 2017, quando acabou o mandato do Mecanismo Conjunto de Investigação.

Especialistas russos na Síria não encontraram evidências do uso de gás sarin ou cloro, afirmou Nebenzia, que ofereceu assistência russa e síria para permitir o acesso de membros da Organização para a Proibição de Armas Químicas a Duma.

Nebenzia acusou as potências ocidentais de perseguir uma "política de confrontação" com o emprego de "calúnias, insultos, retórica agressiva, chantagens, sanções e ameaças do uso da força".

Grã-Bretanha, França, Estados Unidos e outros seis países solicitaram a reunião de emergência no Conselho de Segurança após o suposto uso de gases tóxicos, na sexta-feira, contra o bastião rebelde de Duma, onde 40 pessoas morreram.

"O apoio militar russo e iraniano está presente no terreno e em todos os níveis do aparato de guerra sírio, e nenhum avião sírio decola sem que o aliado russo tenha sido informado", destacou o embaixador francês na ONU, François Delattre.

"Estes ataques (de 7 de abril) ocorreram, então, ou com o apoio tácito e explícito da Rússia, ou apesar de sua presença militar. Não sei qual das duas variações é mais alarmante para nossa segurança militar", acrescentou.

O presidente russo, Vladimir Putin, condenou "o caráter inadmissível das provocações e especulações" sobre o suposto ataque com armas químicas. Moscou insiste sobre a "necessidade de elucidar de maneira muito minuciosa" o que aconteceu em Duma.

- Reincidência -Há um ano, Trump ordenou bombardear uma base militar síria em resposta a um ataque com gás sarin atribuído a Damasco que deixou mais de 80 civis mortos em Khan Sheikhun (noroeste).

Segundo os Capacetes Brancos e a ONG Syrian American Medical Society, mais de 40 pessoas morreram no recente "ataque com gás tóxico" em Duma, na região de Ghuta Oriental, que o governo tenta conquistar em sua totalidade.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), que usa uma ampla rede de informantes na Síria, não pôde confirmar que houve um ataque com armas químicas.

O governo de Bashar al-Assad sempre negou sua responsabilidade nos ataques com armas químicas que lhe são atribuídos desde o início da guerra, em 2011.

Um vídeo divulgado pelos Capacetes Brancos, e apresentado como gravado após o suposto ataque em Duma, mostra corpos sem vida com espuma branca saindo de suas bocas.

A Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) anunciou que investiga essas informações.

O apoio militar de Moscou permitiu a Damasco reverter o curso da guerra, que deixou até agora 350 mil mortos, e reconquistar grande parte do território que havia perdido.

Sua ofensiva em Ghuta Oriental fez os grupos rebeldes se submeterem e aceitarem evacuar o enclave, bombardeado intensamente. Cerca de 1.700 civis morreram, segundo o OSDH.

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