Exército de Israel confirma autenticidade de vídeo polêmico

Jerusalém, 10 Abr 2018 (AFP) - O Exército israelense confirmou a autenticidade de um vídeo polêmico que mostra soldados israelenses disparando contra um palestino desarmado na Faixa de Gaza e, depois, celebrando com gritos de alegria o fato de o terem atingido.

A cúpula militar indicou que os fatos aconteceram em dezembro passado. "Após tentar dispersar os arruaceiros (...) uma bala foi disparada na direção de um dos palestinos suspeitos de ser o líder. Ele foi atingido na perna", afirmou em um comunicado.

O vídeo foi divulgado primeiro pela emissora de televisão privada 10, que não indicou como o obteve. Depois, circulou pela imprensa israelense e pelas redes sociais.

As imagens mostram um palestino parado perto do muro que separa Israel da Faixa de Gaza. Na sequência, o homem é atingido por disparos de uma posição militar em território israelense.

No momento em que o palestino cai no chão, ouvem-se gritos de alegria que parecem proceder dos soldados. "Que vídeo, filho da puta, que vídeo! É claro que eu filmei".

O ministro da Defesa israelense Avigdor Lieberman reagiu ao vídeo afirmando que o soldado que atirou contra o palestino na Faixa de Gaza merecia ganhar uma promoção.

"O atirador deveria receber uma medalha e o que filmou ser rebaixado", declarou Lieberman aos jornalistas.

O Exército anunciou, na segunda-feira, uma investigação sobre fatos. A imprensa informou que soldado que atirou está sendo interrogado.

- "Tudo OK" -A divulgação desse vídeo coincide com a polêmica sobre a atuação do Exército, após a morte a tiros de 31 palestinos em confrontos na fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza.

Organizações de defesa dos direitos humanos têm denunciado o uso desproporcional da força.

"Exagerou-se muito com este vídeo. Não são disparos contra uma pessoa qualquer, mas contra um terrorista que se aproxima da barreira em uma zona de acesso proibido e procedente de uma região controlada pelos terroristas do Hamas", disse o ministro de Segurança Interna, Gilad Erdan, à rádio pública.

"Estou convencido que tudo está OK", acrescentou.

O ministro da Educação, Naftali Bennett, defendeu na rádio militar as ações das tropas israelenses.

"Julgar os soldados porque não se expressaram de maneira elegante quando estão defendendo nossas fronteiras não é sério", afirmou Bennett, líder do Lar Judaico, um partido nacionalista religioso.

"Apoio todos os soldados", acrescentou.

Não foi possível saber se o palestino atingido foi morto.

O Exército israelense afirma que os atiradores mobilizados ao longo da fronteira com a Faixa de Gaza são autorizados a disparar contra manifestantes apenas quando estão armados, ameaçam a vida de soldados, tentam entrar em território israelense ou sabotar a barreira de segurança.

- "Que o mundo acredite em nós" -Após a morte de 31 manifestantes palestinos desde 30 de março, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, e a União Europeia pediram uma "investigação independente" sobre o uso de munição real por Israel, um pedido rejeitado pelo Estado hebraico.

Hanane Ashraui, uma autoridade palestina, disse à AFP que "há muito tempo, ninguém nos escuta ou acredita em nós, a menos que apresentemos um documento de origem israelense".

"A questão dos franco-atiradores não é nova e é hora de o mundo acreditar no que dizemos" sobre a repressão israelense, acrescentou.

A ONG israelense B'Tselem lançou na quinta-feira uma campanha convocando os soldados israelenses a não abrir fogo contra palestinos desarmados.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, alertou na segunda-feira que Israel "faria mal" aos palestinos na Faixa de Gaza que tentassem atacar Israel.

O vídeo polêmico recorda outro escândalo envolvendo um soldado israelense.

Elor Azaria foi filmado em 24 de março de 2016 atirando na cabeça de um palestino na Cisjordânia, território militarmente ocupado por Israel.

O palestino acabara de atacar soldados com uma faca. Ferido pelos soldados, estava deitado no chão, aparentemente sem representar perigo, quando Elor Azaria o executou.

Em julgamento, Elor Azaria foi considerado culpado de homicídio intencional por um tribunal militar israelense.

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