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Macron e príncipe saudita demonstram convergências, exceto sobre Irã

10/04/2018 20h55

Paris, 10 Abr 2018 (AFP) - O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, e o presidente da França, Emmanuel Macron, exibiram nesta terça-feira (10) sua proximidade sobre vários assuntos diplomatas que agitam o Oriente Médio, mas discordaram sobre o tema essencial do programa nuclear iraniano.

A visita, que devia se centrar em temas culturais e econômicos, foi tomada por assuntos diplomáticos.

Sobre a guerra no Iêmen, em que a Arábia Saudita combate contra os rebeldes huthis apoiados pelo Irã, Macron disse que a França não "tolerará nenhuma atividade que ameace a Arábia Saudita", em referência aos mísseis huthis.

O presidente francês anunciou a organização de uma "conferência humanitária" sobre Iêmen em Paris até o meio do ano.

Sobre a Síria, contra a qual as potências ocidentais debatem ações militares em represália por um suposto ataque químico, Macron deixou claro que, em caso de ataques, a França não apontaria para os aliados russos e iranianos de Damasco.

"Nos próximos dias anunciaremos uma decisão", disse Macron. O príncipe herdeiro da Arábia Saudita não descartou que seu país participe nesses ataques. "Se nossa aliança com os nossos sócios exigir, estaremos presentes", declarou Mohamed bin Salman.

No entanto, ambos líderes divergiram sobre o futuro acordo nuclear iraniano, que a França quer preservar enquanto que a Arábia Saudita, seguindo a mesma linha que Washington, quer revisar.

"Temos uma visão tática diferente do acordo, mas temos uma visão estratégica coerente para estabilizar a região, evitar que o Irã se transforme em potência nuclear e limitar a influência do Irã no Líbano", disse o presidente francês.

No âmbito econômico, ambos os países assinaram protocolos de acordo entre empresas francesas e sauditas avaliados em mais de 18 bilhões de dólares (14,5 bilhões de euros).