Trump cancela viagem a Lima e Bogotá para supervisionar resposta à Síria

Washington, 10 Abr 2018 (AFP) - O presidente americano, Donald Trump, cancelou nesta terça-feira (10) sua primeira viagem à América Latina para focar na Síria, em um novo sinal de que os vizinhos do sul não são sua prioridade.

Trump devia comparecer na sexta-feira e no sábado à 8ª Cúpula das Américas, em Lima, a primeira desde que assumiu o cargo, antes de visitar Bogotá no domingo.

Mas a Casa Branca anunciou que em seu lugar irá o vice-presidente Mike Pence, e que a escala na Colômbia, tradicional aliado americano na região, foi suprimida.

O presidente quer analisar a situação na Síria, explicou a secretária de imprensa de Trump, Sarah Sanders, enquanto Washington avalia uma possível ação militar após o suposto ataque químico no sábado em Duma, que atribuem ao governo de Damasco, apoiado por Moscou.

"O presidente permanecerá nos Estados Unidos para supervisionar a resposta americana à Síria e monitorar os acontecimentos em todo o mundo", acrescentou.

A decisão de Trump é tomada um dia depois de o FBI vasculhar um dos escritórios e a casa de Michael Cohen, advogado pessoal do presidente, uma iniciativa que enfureceu o chefe de Estado.

O cancelamento de última hora de Trump não afeta os planos de sua filha Ivanka, sua assessora especial, que irá a Lima para defender "o lugar das mulheres na economia da região", segundo um funcionário de alto escalão

- 'Uma perda' -As críticas de Trump aos latino-americanos pioraram desde a campanha eleitoral pela imigração ilegal, as práticas comerciais e a luta antidrogas.

Sempre que pode, ameaça abandonar o Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), vigente desde 1994 e crucial em sua relação com o México, sob revisão a suas instâncias.

O muro que prometeu construir na fronteira com o México é o maior símbolo de hostilidade. Enquanto não se concretiza, ele prevê enviar 4.000 membros da Guarda Nacional, um contingente maior do que o mantido na Síria, para custodiar a zona. Os estados de Texas e Arizona já mobilizaram as primeiras tropas.

A Cúpula das Américas é um fórum que os Estados Unidos aproveitam para influenciar em assuntos regionais.

"Trump não ir à América Latina é uma perda para a administração americana, especialmente quando Washington quer se apresentar como sócio preferencial diante da China", explicou à AFP Jason Marczak, diretor do centro sobre América Latina do Atlantic Council.

Comparativamente, o presidente chinês, Xi Jinping, visitou a região três vezes desde 2013.

"Como podemos nos apresentar como uma alternativa crível à China quando nosso presidente sequer pode comparecer ao fórum principal?", questionou Sabatini.

Em sua última viagem à América Latina, em 2016, Xi participou da cúpula do Fórum de Cooperação Ásia-Pacífico (Apec) no Peru, onde enfatizou seu desejo de liderar o livre-comércio internacional, sobretudo com nações emergentes.

- 'Que tristeza!' -O presidente peruano, Martín Vizcarra, anfitrião do encontro, lamentou a ausência de seu contraparte. "Teria sido favorável e importante a assistência do presidente Trump", disse, embora tenha comemorado a participação de Pence.

Pence buscará em particular melhorar os laços comerciais e impulsionar uma mudança na Venezuela de Nicolás Maduro, que Washington considera "uma ditadura" e é sua principal preocupação no hemisfério, disse o porta-voz do vice-presidente, Jarrod Agen.

"Sua intenção é promover políticas que contribuam para fortalecer ainda mais a economia americana e trabalhar com nossos aliados próximos na América Latina para conseguir, de maneira coletiva, que os atores antidemocráticos da região prestem contas por suas ações", assinalou em comunicado.

O vice-presidente já viajou no ano passado à América Latina, onde se reuniu com os presidentes de Argentina, Chile, Colômbia e Panamá "para aumentar a pressão contra o regime de Maduro".

Já em Caracas, o líder governista venezuelano Diosdado Cabello comemorou o cancelamento. "Que tristeza para os cãezinhos expulsos, que o estavam esperando para lamber os sapatos!", ironizou Cabello em um ato político, celebrando que "o imperador que acredita ser dono do mundo" não estará presente na cúpula para a qual Maduro não foi convidado.

O vice-presidente do partido do governo mencionou nominalmente os presidentes Michel Temer; o argentino, Mauricio Macri; o colombiano, Juan Manuel Santos; e panamenho, Juan Carlos Varela, aos quais denominou de "servos do imperialismo".

O fórum em Lima é "fundamental para a ação coletiva na Venezuela às vésperas de uma eleição fraudulenta, inconstitucional e amplamente condenada", opinou Sabatini sobre as eleições de 20 de maio, nas quais Maduro busca a reeleição.

"Assim como na Assembleia Geral da OEA quando (o ex-secretário americano de Estado, Rex) Tillerson não esteve presente, a ausência de Trump corre o risco de diminuir o papel dos Estados Unidos quando mais se necessita de liderança", opinou.

Os Estados Unidos estarão bem representados por Pence, que conhece a região, disse Marczak. "Mas para os líderes latino-americanos não é a mesma coisa que falar pessoalmente com o presidente americano".

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