Trump tem poder para demitir procurador especial, diz Casa Branca

Washington, 10 Abr 2018 (AFP) - A Casa Branca informou nesta terça-feira (10) que o presidente Donald Trump acredita ter o poder de demitir o procurador especial Robert Mueller, um dia depois de agentes do FBI realizarem uma batida nos escritórios do advogado pessoal do chefe de Estado.

A saída de Mueller, que investiga um suposto conluio entre a equipe de campanha de Trump e a Rússia e também uma possível obstrução à justiça do presidente.

"Eles ressaltaram que o presidente certamente tem o poder de tomar esta decisão", disse a secretária de imprensa Sarah Sandersm que sugeriu que essa ideia é discutida na equipe de Trump.

O próprio presidente alimentou essa teoria nessa terça-feira. "Veremos o que acontecerá", contestou ao ser perguntado sobre o futuro de Mueller. "Muita gente me disse: 'deve demiti-lo'", continuou.

Nomeado chefe do FBI em 2001 pelo presidente republicano George W. Bush, Mueller foi ratificado no cargo pelo democrata Barack Obama. Os pesos pesados republicanos apoiaram sua nomeação como procurador especial em 2017 por sua minuciosidade e integridade.

A posição da Casa Branca contra Mueller acontece um dia depois das buscas por parte do FBI ao escritório do advogado pessoal de Trump, Michael Cohen.

A ação provovou a ira do presidente: "É uma vergonha! É um ataque contra nosso país".

"O presidente foi claro: acredita que isso foi longe demais", sentenciou seu porta-voz.

Leal defensor de Trump, Cohen passou vários anos como o principal advogado da Trump Organization e pagou uma atriz pornô para silenciar um suposto romance com o presidente.

As condições sob as quais Mueller poderia ser demitido não estão claras. Alguns juristas acham que somente o procurador-geral adjunto, Rod Rosenstein, que o nomeou, tem esse poder.

Alguns observadores se perguntam sobre a possibilidade de Trump se afastar de Rosenstein, cenário que lembra o Watergate.

Em outubro de 1973, Richard Nixon ordenou Elliot Richardson, então procurador-geral, que destituísse Archibald Cox, encarregado de investigar a espionagem política do Partido Democrata.

Cox, como seu adjunto William Ruckelshaus, se negou a demitir. O episódio, conhecido como "o massacre do sábado à noite", custou o cargo de presidente a Nixon, obrigado a renunciar em 9 de agosto de 1974.

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