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Desafiador, Trump adverte que 'mísseis chegarão' à Síria

11/04/2018 19h47

Washington, Estados Unidos, 11 Abr 2018 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acredita que a Síria e a Rússia são "responsáveis" pelo "ataque químico" ocorrido no sábado na localidade de Duma, disse nesta quarta-feira (11) a Casa Branca, horas depois de o presidente alertar que "os mísseis chegarão" ao regime de Damasco.

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, informou que Trump responsabiliza Moscou e Damasco pelo suposto bombardeio químico, mas esclareceu que ainda continuam as discussões sobre uma possível ação militar americana. "Todas as opções estão sobre a mesa, e a decisão final não foi adotada", disse.

Nesta quarta-feira, Trump recorreu ao Twitter para ameaçar com represálias o suposto uso de armas químicas em Duma. "A Rússia promete derrubar todos os mísseis disparados contra a Síria. Prepare-se, Rússia, porque eles chegarão, lindos, novos e 'inteligentes'! Não deveriam ser sócios de um Animal Assassino com Gás que mata seu povo e aprecia", escreveu.

O secretário de Defesa, Jim Mattis, disse que o Pentágono está "pronto" para apresentar as opções de ação militar, e acrescentou que ainda estão "avaliando a inteligência" com os aliados sobre o que aconteceu em Duma.

- "Encenação" -O Exército russo afirma que o suposto ataque químico foi uma "encenação" dos Capacetes Brancos, uma organização de socorristas sírios, a primeira a denunciar o bombardeio.

Damasco, entretanto, voltou a acusar Washington de apoiar os "terroristas" e classificou de "escalada perigosa" as ameaças de Trump, segundo uma fonte da Chancelaria, citada pela agência Sanaa.

O presidente russo, Vladimir Putin, disse esperar que "o bom senso" prevaleça em relações internacionais "cada vez mais caóticas".

Na quarta-feira, ele pediu ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, "que se abstenha de qualquer ação que possa desestabilizar ainda mais a situação" na Síria, indicou o Kremlin, ao informar sobre uma conversa telefônica entre os dois chefes de Estado.

Trump deixou claro que pretende que o regime de Bashar al Assad, e possivelmente seus aliados, Moscou e Teerã, paguem um preço alto pelo último suposto ataque com gases tóxicos.

Segundo socorristas, no sábado morreram mais de 40 pessoas no reduto rebelde de Duma em um ataque químico que teria deixado as vítimas com dificuldades respiratórias e espuma saindo pela boca.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) exigiu nesta quarta-feira o "acesso imediato e irrestrito à área para atender as pessoas afetadas" e indicou que, segundo organizações locais, "cerca de 500 pacientes teriam sinais e sintomas coerentes com a exposição a produtos químicos tóxicos".

- Rufar dos tambores -O destróier lança-mísseis "USS Donald Cook" partiu na segunda-feira do porto de Lanarca, no Chipre, onde fazia uma escala, e se encontra em uma zona de onde poderia facilmente atacar a Síria.

Na tarde de terça, a Agência Europeia de Segurança Aérea (EASA) emitiu uma mensagem, advertindo para "possíveis ataques aéreos na Síria (...) nas próximas 72 horas".

Segundo a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), o Exército de Assad pôs suas forças "em estado de alerta" para os próximos três dias nos aeroportos e bases militares desse país arrasado pela guerra desde 2011.

As tropas se preparam com um rápido deslocamento, especialmente em Damasco, mas também na província de Homs (centro) e de Deir Ezzor (leste), de acordo com o diretor da ONG, Rami Abdel Rahman.

Esta medida é, em geral, adotada "em reação às ameaças externas", completou.

Em abril de 2017, Trump bombardeou uma base militar síria, em resposta a um ataque com gás sarin em Khan Sheilkhun. Os EUA acusam o governo Assad pela ofensiva que matou 80 civis.

O governo sírio sempre negou seu envolvimento nos ataques químicos pelos quais vem sendo responsabilizado ao longo dessa guerra que devasta o país desde 2011.

- "Una farsa" -Após as frustradas votações de terça-feira, a Bolívia, membro não permanente do Conselho de Segurança, solicitou uma reunião do organismo da ONU sobre as ameaças de ação militar na Síria.

O país sul-americano informou que a reunião a portas fechadas debateria "a recente escalada da retórica sobre a Síria e a ameaça do uso de ações unilaterais", segundo a solicitação à qual a AFP teve acesso.

O Conselho de Segurança da ONU voltou a fracassar, na terça-feira, em sua tentativa de dar uma resposta ao recentes ataques na Síria, depois que Washington e Moscou se opuseram mutuamente às suas respectivas moções para realizar uma investigação internacional.

A embaixadora de Washington na Casa, Nikki Haley, deixou claro que um fracasso no Conselho de Segurança não impedirá a ação dos Estados Unidos e de seus aliados.

"Qualquer coisa significativa que propusermos sobre Síria, a Rússia veta. É uma farsa", acrescentou, considerando que a proposta russa buscava apenas "proteger Assad".

O embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, disse que o veto obedecia à vontade de Moscou de "não permitir que o Conselho de Segurança seja conduzido para aventuras".

Com o apoio de Londres e Paris, Washington disse estar pronto para agir com ou sem o apoio das Nações Unidas. China e Rússia deixaram clara sua oposição a um eventual ataque ocidental.