Papa assume 'graves equívocos de avaliação' em caso de pedofilia no Chile

Cidade do Vaticano/Santiago, 12 Abr 2018 (AFP) - O papa Francisco pediu perdão nesta quarta-feira (11) por ter incorrido em "graves equívocos de avaliação" em casos de pedofilia e seu encobrimento na Igreja Católica, investigados recentemente por uma missão do Vaticano enviada ao Chile.

Em uma carta divulgada pelo Vaticano e pelo Episcopado chileno, o papa convocou a Roma os bispos chilenos para "dialogar sobre as conclusões da mencionada visita e minhas conclusões".

O arcebispo de Malta, Charles Scicluna, foi enviado ao Chile em fevereiro pelo papa Francisco para ouvir depoimentos sobre o suposto encobrimento de abusos sexuais pelo bispo da cidade de Osorno (sul), Juan Barros, mas depois incluiu conversas com vítimas de pedofilia em colégios da Congregação Marista.

Barros é acusado de encobrir os abusos sexuais reiterados do influente sacerdote Fernando Karadima, condenado pelo Vaticano em 2011 a uma "vida de oração e penitência" depois que a Justiça local declarou prescritas as acusações de abuso sexual.

Ao retornar à Santa Sé, Scicluna entregou um relatório de sua visita a Francisco.

Na carta, o papa assinala que, após uma leitura atenta das atas desse processo de escuta, "acho que posso afirmar que todas os depoimentos coletados falam de uma maneira crua, sem aditivos ou adoçantes, de muitas vidas crucificadas e confesso que isso me causa dor e vergonha".

No texto, Francisco também reconhece que "incorreu em graves equívocos de avaliação e percepção da situação, especialmente devido à falta de informações verdadeiras e equilibradas".

Francisco também pede perdão a "todos aqueles que ofendi", e anunciou que se encontrará com representantes das pessoas entrevistadas por aqueles que conduziram o processo de escuta confiante.

"Apreciamos a mudança de olhar que o papa está mostrando em sua carta, agradecemos o seu pedido de perdão e aceitamos. Esperamos que esse arrependimento seja mostrado em ações concretas", afirma em uma declaração pública a "comunidade de leigos e leigas de Osorno", que exige a renúncia do bispo.

- "Não fizemos o suficiente"Em meados de 2017, com a denúncia de várias vítimas e um recurso legal interposto pela própria Congregação Marista justiça chilena, acusando de pedofilia um de seus membros, se abriu uma nova frente para a Igreja Católica chilena no Chile que nos últimos anos tem sofrido denúncias similares.

Para um grupo de vítimas de abusos sexuais por parte de religiosos conhecido como "caso maristas no Chile", a carta de Francisco é pouco alentadora.

"Enquanto Francisco falar em erros, pecados e omissões, e não se referir aos fatos como crimes, aos perpetradores como criminosos e não entregar os antecedentes que tem à justiça comum dos países nos quais esses crimes aconteceram, nos manteremos longe da justiça", garante o grupo em uma mensagem.

O grupo reivindica que Francisco tome "medidas concretas" que acabem com a impunidade.

Os casos de pedofilia ofuscaram a visita feita em janeiro pelo papa ao Chile, que publicamente deu seu apoio a Barros, nomeado por ele como bispo da cidade de Osorno, despertando fortes críticas das vítimas de Karadima.

Três dos abusados por Karadima, James Hamilton, Juan Carlos Cruz e José Andrés Murillo, foram contactados pelo Vaticano para um encontro nas próximas semanas com o papa argentino.

O presidente da Conferência Episcopal do Chile, monsenhor Santiago Silva, apontou que o Episcopado compartilha a dor de Francisco.

Silva confirmou, ainda, a assistência da totalidade dos bispos ao encontro convocado pelo papa, que acontecerá em Roma na terceira semana de maio.

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