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EUA atacam Síria com apoio de França e Reino Unido

13/04/2018 23h59

Washington, Estados Unidos, 14 Abr 2018 (AFP) - Estados Unidos, França e Reino Unido bombardearam alvos na Síria na madrugada deste sábado, em uma ação coordenada contra o regime de Bashar Al Assad uma semana após um suposto ataque com armas químicas ter matado cerca de 40 civis nos arredores de Damasco.

O presidente americano, Donald Trump, anunciou ter ordenado "às forças armadas dos Estados Unidos ataques de precisão contra alvos associados à capacidade de armas químicas do ditador Bashar Al Assad".

O chefe do Comando Conjunto dos EUA, general Joe Dunford, revelou que os alvos "foram especificamente identificados para reduzir o risco de envolver as forças russas" na Síria.

O secretário americano de Defesa, general Jim Mattis, informou que os ataques terminaram e que "no momento, não planejamos ações adicionais".

Segundo o general Mattis, foi enviada uma "mensagem clara" ao regime sírio. "É o momento de as nações civilizadas se unirem com urgência para acabar com a guerra civil, apoiando o processo de paz liderado pelas Nações Unidas".

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) informou que "foram registrados bombardeios ocidentais contra centros de pesquisa científica, várias bases militares e locais da Guarda Republicana em Damasco e seus arredores".

Segundo um oficial americano, os ataques aéreos coordenados visaram instalações de produção de armas químicas, atingiram vários alvos e utilizaram diferentes tipos de armas, incluindo mísseis de cruzeiro Tomahawk.

Quatro aviões tornado dispararam mísseis Storm Shadow contra "um complexo militar, uma antiga base de mísseis, a cerca de 24 km a oeste de Homs, onde se suspeita que o regime armazene substâncias para fabricar armas químicas", revelou o ministério da Defesa em Londres.

"Foram realizadas análises muito cuidadosas para determinar onde era melhor atacar com os Storm Shadows a fim de maximizar a destruição de produtos químicos armazenados e minimizar qualquer risco de contaminação nas áreas circundantes".

"As informações iniciais mostram que a precisão dos Storm Shadow e o planejamento meticuloso resultou em um ataque de sucesso".

A TV estatal síria destacou que a defesa antiaérea entrou em ação contra a "agressão" americana.

Instantes depois de ordenar o ataque, Trump responsabilizou Rússia e Irã "por apoiar, equipar e financiar o regime criminoso" da Síria.

Por isso, acrescentou, a Rússia "descumpriu suas promessas" de impedir que o governo de Assad use armas químicas.

Em Londres, a primeira-ministra britânica, Theresa May, disse que não havia "alternativa prática" ao uso da força na Síria, ao anunciar que o Reino Unido se uniu à França e aos Estados Unidos para lançar ataques contra a Síria.

"Esta noite autorizei as Forças Armadas britânicas a realizar bombardeios coordenados e dirigidos para degradar as capacidades de armas químicas do regime e impedir seu uso".

Em Paris, o presidente francês, Emmanuel Macron, confirmou que a França participou da operação conjunta, destacando que os bombardeios estavam "circunscritos às capacidades do regime que permitem a produção e o uso de armas químicas".

"Não podemos tolerar a banalização do uso de armas químicas", explicou o presidente em um comunicado.

Momentos antes do pronunciamento à Nação de Trump, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, que está em Lima participando da Cúpula das Américas, deixou repentinamente um banquete sem dar explicações e retornou ao hotel onde está hospedado, segundo jornalistas que o acompanham na viagem.

Mais cedo, a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, anunciou que os Estados Unidos tinham provas de que Assad havia de fato lançado o ataque com armas químicas na região de Duma.

"Não direi quando tivemos a prova. O ataque ocorreu no sábado e sabemos que foi um ataque químico", disse Nauert à imprensa, em Washington, acrescentando que apenas alguns poucos países, como a Síria, tinham "esse tipo de armas".

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, afirmou que a Rússia também era responsável pelo ocorrido porque "fracassou em impedir que ocorresse um ataque com armas químicas".

O presidente americano manteve seguidas reuniões de consulta nos últimos dias com seus conselheiros militares e aliados no exterior para definir uma reposta às denúncias de ataque químico.

No Conselho de Segurança da ONU, António Guterres, fez também nesta sexta-feira um apelo dramático a agir com "responsabilidade" para evitar uma "escalada militar total" na Síria.