Montenegro vai às urnas em eleição presidencial no domingo

Podgorica, Montenegro, 13 Abr 2018 (AFP) - Os ajustes de contas e o crime organizado "entraram" na eleição presidencial de Montenegro, dando à oposição elementos para atacar o pró-Ocidente Milo Djukanovic, favorito nas pesquisas para o primeiro turno que acontece neste domingo (15).

Depois de dirigir o país sem interrupção por 25 anos, Djukanovic saiu de cena após as legislativas de outubro de 2016. Agora, porém, aos 56 anos, ele anuncia seu retorno, com a intenção de aproximar o país da União Europeia, depois da adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em 2017.

Presidente (1998-2003) e seis vezes primeiro-ministro, Milo Djukanovic quer confirmar seu status de "líder" de Montenegro, se possível no primeiro turno, uma hipótese considerada viável, conforme as pesquisas.

Em caso de vitória, a Presidência honorária ocupada por Filip Vujanovic se transformará na verdadeira sede do poder desse pequeno país de 620.000 habitantes.

Para aspirar a ingressar na UE, contudo, a Comissão Europeia insiste na necessidade de continuar a luta contra o crime organizado.

Essa violência se fez presente na campanha eleitoral com carros-bomba e assassinatos nas ruas. Cerca de 20 pessoas morreram nos últimos dois anos e, destas, quatro vítimas não tinham qualquer vínculo com o crime organizado.

- 'Criou o caos' -A oposição tira proveito desse clima e acusa Djukanovic de estar ligado ao crime organizado.

"Como presidente farei tudo o que estiver em meu poder (...) para dar às forças de segurança todos os poderes necessários para que protejam os cidadãos dos que põem suas vidas em risco", disse ele em um comício.

Uma promessa recebida com ironia por seus adversários.

"Não pode ser a solução, já que foi ele que criou a instabilidade e o caos que se constata nas ruas de Montenegro", disse Mladen Bojanic, terceiro nas intenções de voto.

Apoiado pela maioria dos partidos de oposição, pró-russos, ou não, Bojanic destacou que "o problema é que não sei de que lado (Djukanovic) está".

Para um candidato nanico, o pró-russo Marko Milacic, o favorito das eleições é "o maior responsável pela situação do Estado, das ruas ensaguentadas à política externa, passando por uma economia em frangalhos".

O desemprego afeta mais de 20% da população economicamente ativa.

Nesse contexto, o debate entre ser pró-Ocidente, ou pró-russo, não está no centro das preocupações.

"Essa gente e esses programas estão desgastados. Ninguém propõe soluções para nossos verdadeiros problemas, a queda do nível de vida, o desemprego, a emigração dos jovens", resume Milan, um estudante de 23 anos que pediu para não ser identificado.

Para Djukanovic, essa escolha entre Bruxelas e Moscou é crucial, porém, para saber "se Montenegro permanecerá no caminho do desenvolvimento".

As legislativas de 2016 foram marcadas pela detenção de mais de 20 militantes anti-Otan, acusados pelas autoridades de incitarem um golpe de Estado.

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