Rússia é acusada de apoiar Assad, mas se livra dos bombardeios

Washington, Estados Unidos, 14 Abr 2018 (AFP) - Donald Trump denunciou duramente o apoio de Moscou ao regime do presidente Bashar al Assad, mas Estados Unidos, França e Reino Unido se preocuparam em evitar as bases russas durante sua operação militar conjunta na Síria.

"O ataque químico de Assad e a resposta de hoje são o resultado direto do descumprimento das promessas russas", disse o presidente americano, ao anunciar que havia autorizado ataques contra alvos sírios.

Ele se referia ao acordo para desmantelar o arsenal químico sírio, aprovado em 2013, por seu antecessor Barack Obama com o presidente russo Vladimir Putin. Em troca, o presidente democrata havia renunciado a bombardear o regime de Damasco apesar de ter ultrapassado a "linha vermelha".

Desta vez, se tratou de um ataque químico atribuído a tropas do governo, no sábado, 7 de abril em Duma, perto da capital síria. Isso motivou os ataques lançados na madrugada de sábado depois de uma mobilização da comunidade internacional, já comovida pelo horror de uma guerra civil que deixou mais de 350.000 mortos desde março de 2011.

"As nações do mundo podem ser julgadas pelos amigos que têm. Nenhuma nação pode ter sucesso no longo prazo promovendo Estados foragidos, tiranos brutais e ditadores assassinos", disse Trump. "A Rússia deve decidir se continuará neste caminho obscuro ou se irá se unir às nações civilizadas como uma força de estabilidade e paz".

- Alvos russos evitados -Apesar dessas acusações, a operação militar contra a Síria foi limitada, e os ocidentais se ocuparam expressamente de evitar atingir as forças russas, presentes maciçamente no país como aliadas do regime.

A ação foi executada dessa maneira para evitar uma escalada militar perigosa com consequências imprevisíveis entre as duas grandes potências, em um momento em que as relações entre ambas se encontram deterioradas também pelo caso do ex-espião Sergei Skripal, envenenado por um agente tóxico no dia 4 de março em Salisbury, na Inglaterra.

Os últimos dias foram marcados por um aumento da tensão entre Washington e Moscou, o que levou a ONU a emitir várias advertências.

"Identificamos especificamente esses alvos para reduzir o risco de envolver as forças russas", disse à imprensa o chefe do Estado-Maior Joe Dunford, acrescentando que Moscou não havia sido advertido com antecedência sobre os alvos selecionados.

"Os alvos dessa noite tinham o objetivo específico de debilitar as capacidades do exército sírio para produzir armas químicas", disse o secretário de Defesa americano, Jim Mattis. "Não se tentou ampliar ou expandir o número de alvos", acrescentou.

O governo russo confirmou que não houve bombardeios perto de suas bases na Síria.

Os Estados Unidos, que apoiam as Forças Democráticas Sírias (SDF) que mantêm o controle de um terço do território no norte do país, espera acordar uma solução pacífica da guerra civil síria sob a égide da ONU.

No entanto, o governo de Trump não quer romper todos os laços com a Rússia, que, desde a sua incursão no conflito em 2015, permitiu que o presidente sírio Bashar al Assad recupere a maior parte do território do país.

A Rússia criticou os ataques ocidentais, assegurando que equivalem a "insultar o presidente russo", segundo o embaixador russo em Washington, Anatoly Antonov.

"Advertimos que essas ações terão consequências", escreveu o diplomata em comunicado. "Nossas advertências foram ignoradas", ressaltou.

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