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Internacional

Infrações de trânsito e overdose infantil: os desafios da maconha legalizada nos EUA

20/04/2018 19h34

Los Angeles, 20 Abr 2018 (AFP) -









Um jovem de 20 anos entra algemado em um carro de polícia. Acaba de ser detido por dirigir sob o efeito da maconha, cujo uso recreativo é legal na Califórnia desde janeiro.

A lei de trânsito é severa para quem se coloca atrás do volante tendo consumido cannabis, o mesmo que acontece com o álcool.

O uso recreativo da erva - que nesta sexta-feira comemora seu dia, "Weed Day" - é legalizado em oito estados do país e na capital, Washington DC.

A polícia teme que a legalização aumente o número de infrações deste tipo, enquanto nas salas de emergência o que se viu foi um aumento de casos de crianças que ingerem sem saber produtos comestíveis feitos à base de cannabis.

"Embora seja legal, há muita falta de conhecimento dos usuários", diz à AFP o policial John Hernández, especialista em reconhecimento de narcóticos da polícia de Los Angeles. "Dizem coisas como 'pensei que podia dirigir, já que agora é legal'".

Foi ele que prendeu, em uma noite fresca de sexta-feira durante uma blitz, o jovem, que disse que tinha fumado maconha ao meio-dia, quase nove horas antes.

"Você não pode ter nada no seu organismo", explica o policial ao jovem, que consente.

- "Todos estamos bem" -









Ao parar o carro, a primeira coisa que Hernández percebeu foi um forte cheiro de maconha; depois, notou que as pupilas do jovem estavam dilatadas.

O garoto estava acompanhado de três amigos, que defenderam sua versão. "Ele está bem, todos estamos bem, estávamos indo para casa agora", diz a única mulher do grupo.

Mas o jovem - cuja identidade não foi revelada - foi reprovado na avaliação de mais de uma hora feita por Hernández, que incluiu exercícios como caminhar sobre uma linha, levantar a perna, tocar o nariz, assim como uma entrevista, medição da pressão arterial e temperatura, e, na delegacia, um exame de sangue.

Os detidos aguardam em um banco de madeira para serem levados à delegacia, onde ficarão na cela por algumas horas, até que a substância saia do organismo. Depois, terão que se apresentar a um juiz.

Quem é flagrado tem de pagar multas de entre 400 e 1.000 dólares, passar um tempo na prisão e perder a carteira de motorista por seis meses. Além disso, este tipo de delito (DUI, do inglês) fica como antecedente criminal, o que pode afetar uma entrevista de emprego ou uma solicitação de crédito, e serve muitas vezes como justificativa para deportar imigrantes.

- "Como uma arma" -O cheiro da maconha é constante nas ruas de Los Angeles, onde, como no resto da Califórnia, a cultura do consumo vem de décadas.

Nas lojas do ramo não só se vende erva como também muitos produtos comestíveis, como balas e chocolates. Especialistas advertem sobre o risco de que crianças os confundam com doces normais e sofram overdose.

Mark Morocco, professor e médico no serviço de emergência de um hospital da universidade UCLA de Los Angeles, diz à AFP que "viu um aumento progressivo" de overdoses pediátricas e que a tendência é nacional.

"Quando se apresenta uma criança com overdose, geralmente só está alterada", diz. "É um diagnóstico por exclusão, é a última coisa que consideramos após descartar outras condições que ameaçam a vida", como um traumatismo ou uma infecção.

A overdose de maconha não é letal e o tratamento é repouso até passar o efeito, embora estes casos requeiram a intervenção de um assistente social.

"Digo aos pais que tratem (a maconha) como qualquer outro narcótico, como uma arma", reforçando que esses comestíveis não podem estar ao alcance das crianças.

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