Premiê diz que Israel tem provas de programa nuclear secreto do Irã

Jerusalém, 30 Abr 2018 (AFP) -

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta segunda-feira (30) que seu país dispõe de novas "provas conclusivas" da existência de um programa secreto iraniano destinado a desenvolver armas nucleares.

Entretanto, embora Netanyahu tenha acusado o Irã de mentir sobre as suas ambições nucleares, não forneceu provas de que a República Islâmica tivesse trabalhado ativamente para obter uma arma atômica desde 2015, quando foi assinado o acordo entre Teerã e seis potências mundiais.

O Irã sempre negou ter intenções de obter uma arma nuclear e reiterou que seu programa atômico tem fins civis.

Netanyahu fez a sua denúncia 48 horas após uma conversa por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que criticou esse acordo.

Ele disse que Israel obteve milhares de arquivos "há algumas semanas em uma grande façanha da Inteligência".

"Esta noite vamos revelar uma prova nova e conclusiva do programa secreto de armas nucleares que o Irã tem escondido durante anos da comunidade internacional em seu arquivo atômico secreto", afirmou Netanyahu. "Vamos mostrar os arquivos nucleares secretos do Irã", continuou.

Esses documentos, em papel e em CD, serviram de apoio para a declaração de Netanyahu, que sustentou que constituem "evidências novas e conclusivas". Segundo o premier, os documentos mostram que, apesar dos dirigentes iranianos negarem qualquer tentativa de obter armas nucleares, o "Irã mentiu".

A declaração de Netanyahu é feita quando se aproxima o dia 12 de maio, fixado por Trump para decidir se continua ou deixa o acordo nuclear iraniano.

Nesta segunda-feira, o presidente americano voltou a denunciar o "terrível" pacto nuclear, negociado por seu antecessor, Barack Obama.

"Em sete anos este acordo terá expirado e o Irã poderá desenvolver armas nucleares", lançou o presidente republicano durante uma entrevista coletiva conjunta com seu homólogo nigeriano, Muhammadu Buhari. "Não é aceitável. Sete anos e amanhã é a mesma coisa", insistiu.

- 'Alarme falso' -O Irã não demorou a reagir e tachou as declarações de Netanyahu de "pseudo revelações".

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, disse que o presidente Trump "está recorrendo a velhas alegações já tratadas pela IAEA (Agência Internacional de Energia Atômica)" no acordo de 2015.

"Que conveniente. 'Timing' coordenado de supostas revelações de Inteligência por parte do menino que dá um alarme falso dias antes do 12 de maio", postou o chanceler no Twitter, em alusão a Netanyahu e à data limite proposta pelo presidente americano.

- Provas questionadas -Rob Malley, ex-conselheiro de Obama, e parte do governo americano que assinou o acordo com o Irã em 2015, declarou que "para os que acompanham o caso nuclear iraniano, não há nada de novo na apresentação de Bibi", chamando Netanyahu por seu apelido.

"Mas o primeiro-ministro israelense tem somente um público: Trump. E infelizmente é provável que não chegue à mesma conclusão", lamentou Malley.

Nesta segunda-feira, Netanyahu afirmou que Israel sabia "há anos que o Irã tinha um programa secreto nuclear chamado Amad. Agora nós podemos provar que o projeto Amad constitui um programa completo com o objetivo de elaborar, construir e testar armas nucleares", disse.

"Também podemos provar que o Irã armazena em segredo material proveniente do projeto Amad para usá-lo quando quiser e desenvolver armas nucleares", afirmou, com um telão atrás, no qual mostrava imagens de mapas e documentos.

O acordo de 2015 "dá ao Irã um caminho claro até um arsenal nuclear" e não aborda o tema das atividades balísticas da República Islâmica, outra grande preocupação de Israel e da comunidade internacional, disse o primeiro-ministro israelense sem economizar críticas ao que considera um "acordo terrível, que nunca deveria ter sido alcançado".

Netanyahu não deixou de se expressar sobre a aguardada decisão de Trump sobre o acordo. "Estou seguro de que tomará a decisão certa, a escolher certa para os Estados Unidos, para Israel e para a paz mundial", indicou.

O presidente americano, ao ser questionado sobre a postura do premier israelense, se limitou a dizer que "o que Israel fez com a entrevista coletiva está bom".

"Não direi a eles a decisão que tomarei, mas no dia 12 ou antes tomaremos uma", concluiu.

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