Sanções forçaram a Rússia e reduzir gastos militares, diz estudo

Em Estocolmo

  • Sergei Ilnitsky/Pool via REUTERS

Os gastos militares da Rússia caíram bruscamente em 2017 pela primeira vez desde 1998, devido aos efeitos da série de sanções impostas pelo Ocidente, segundo uma análise detalhada que será publicada nesta quarta-feira.

Apesar das fortes tensões entre Moscou e o Ocidente, provocadas pela crise na Ucrânia em 2014 e as profundas divisões com relação à Síria, as despesas militares da Rússia foram de 66,3 bilhões de dólares em 2017, 20% menos que em 2016, segundo o Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI).

A última vez que Moscou se viu obrigado a cortar despesas no setor foi em 1998, no auge de uma forte crise econômica.

"A modernização militar continua sendo uma prioridade para a Rússia, mas o orçamento militar foi reduzido por problemas econômicos que o país experimentou desde 2014", disse o analista sênior do SIPRI  Siemon  Wezeman, em alusão às sanções ocidentais impostas a Moscou por sua anexação da península ucraniana da Crimeia.

Até agora, a Rússia protegeu em grande medida seu orçamento de defesa, impondo cortes em setores como infraestrutura e educação. O ano de 2017 foi a primeira vez que os russos não tiveram outra opção que ampliar o âmbito da aplicação, segundo Wezeman.

"Já não é possível manter a defesa em um nível alto, nem mantê-la em crescimento", destacou. "Isto pode significar que a Rússia terá que engolir o orgulho".

- "Motivo de grande preocupação" -As tensões entre a Otan e a Rússia estão em níveis que não se viam desde a Guerra Fria, devido à guerra na Síria e à crise diplomática originada depois que o ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha, Yulia, foram envenenados no Reino Unido.

Londres acusa Moscou do ataque, o que o governo russo rejeita taxativamente. O Executivo pediu acesso a Serguei e Yulia  Skripal como cidadãos russos.

Enquanto isso, os 29 Estados-membros da Otan gastaram 900 bilhões de dólares com defesa em 2017: 52% dos gastos mundiais na área, segundo o SIPRI.

As despesas militares na Europa central e Ocidental aumentaram, respectivamente, 12% e 1,7% em 2017, devido, "em parte, à percepção de uma ameaça crescente da Rússia".

Os Estados Unidos, que continuam sendo o país que mais gasta com defesa (610 bilhões de dólares), dedicou mais recursos ao setor do que as sete nações que o seguem na lista - China, Arábia Saudita, Rússia, Índia, França, Reino Unido e Japão - juntas, segundo o SIPRI.

O instituto independente apontou que o gasto mundial em defesa atingiu seu maior nível desde o fim da Guerra Fria, com 1,74 trilhão de dólares em 2017, mas apenas representou um crescimento marginal.

"O elevado gasto com defesa continuado no mundo é motivo de grande preocupação", afirmou o presidente da organização, Jan Eliasson, em uma declaração.

"Arruína a busca de soluções pacíficas para os conflitos de todo o mundo", advertiu.

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