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Trump indica libertação de três americanos detidos na Coreia do Norte

03/05/2018 09h41

Washington, 3 Mai 2018 (AFP) -

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu a entender na noite de quarta-feira (2) que o anúncio sobre a libertação de três americanos detidos na Coreia do Norte é iminente.

"Como todo mundo sabe, a administração precedente (de Barack Obama) exigiu, durante um longo tempo, que três reféns fossem libertados de um campo de trabalho norte-coreano, mas sem sucesso. Fiquem atentos!" - escreveu o presidente no Twitter.

A notícia surge às vésperas da histórica cúpula que deve acontecer entre Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, depois de meses de tensa polêmica e retórica elevada sobre os programas nuclear e de mísseis de Pyongyang.

Há vários meses, a administração Trump exige de Pyongyang a libertação dos três homens: Kim Hak-song, Kim Sang-duk e Kim Dong-chul.

"Estão em um hotel nos arredores de Pyongyang", disse mais cedo à AFP Choi Sung-ryong, um ativista sul-coreano com contatos no Norte, acrescentando que, em separado, os três "vão receber tratamento médico e boa comida".

Fontes diplomáticas em Pyongyang afirmaram que há rumores de que os três tenham sido transferidos, mas que não há confirmação sobre sua situação.

Consultado sobre as possíveis libertações, um funcionário do Departamento de Estado - que pediu para não ser identificado - disse "não estar em condições de confirmar a validade dessas informações".

No domingo passado, em entrevista à Fox News, o conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, declarou que, "se a Coreia do Norte libertasse os americanos detidos antes da cúpula" entre Trump e o presidente norte-coreano Kim Jong-un, "seria uma forma de demonstrar sua boa vontade".

Kim Dong-chul, um pastor coreano-americano, foi detido sob a acusação de espionagem e condenado em 2016 a dez anos de trabalhos forçados. Os outros dois foram detidos em 2017, após a chegada de Trump ao poder.

A CNN noticiou que a libertação dos prisioneiros também foi considerada durante os três dias de conversas mantidas em Estocolmo entre o ministro norte-coreano das Relações Exteriores, Ri Yong-ho, e sua homóloga sueca, Margot Wallstrom, em março. A Suécia representa os interesses de Washington em Pyongyang.

- Détente -A espetacular détente operada nos últimos meses - exemplificada pela cúpula que deve acontecer em breve entre Trump e Kim e a perspectiva de uma desnuclearização - alimenta as esperanças de um giro histórico na região.

Tecnicamente, Seul e Pyongyang continuam em guerra desde a década de 1950, mas o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e o líder do norte, Kim Jong-un, concordaram, na cúpula da semana passada, em trabalhar para um tratado permanente que substitua o armistício firmado há 65 anos.

Este encontro deu impulso para a preparação da reunião Trump-Kim, para a qual o presidente americano sugeriu várias opções viáveis.

Um dos lugares considerados é a Zona Desmilitarizada (DMZ) entre as duas Coreias - onde Kim e Moon se reuniram -, além de Cingapura, Mongólia e Suíça.

"Os Estados Unidos nunca estiveram tão perto de que, potencialmente, algo aconteça em relação à península coreana, que elimine as armas nucleares", disse Trump aos jornalistas esta semana, expressando sua confiança na realização da cúpula. O presidente também destacou que pode se retirar, se não se chegar a um acordo à altura de suas expectativas.