EUA falham em fazer Conselho de Segurança repudiar fala de Abbas sobre judeus

Nações Unidas, Estados Unidos, 4 Mai 2018 (AFP) -

A proposta dos Estados Unidos para que o Conselho de Segurança da ONU emita uma declaração repudiando os comentários "inaceitáveis" e "profundamente preocupantes" do presidente palestino Mahmud Abbas sobre os judeus, foi vetada nesta sexta-feira (4).

O Kuwait, membro não permanente do Conselho em representação a um grupo de países árabes, rechaçou a proposta de declaração, argumentando que Abbas não havia se desculpado pelas declarações durante um discurso no Conselho Nacional Palestino.

A declaração proposta expressaria a "séria preocupação" do Conselho com as declarações de Abbas, que "incluíam difamações antissemitas e teorias conspiratórias infundadas, e não servem aos interesses do povo palestino ou à paz no Oriente Médio".

As declarações do Conselho de Segurança são adotadas por consenso de seus 15 membros.

Abbas gerou indignação global depois que ele sugeriu que a hostilidade contra os judeus na Europa não estava ligada à intolerância religiosa, mas a una "função social relacionada a bancos e interesses".

O enviado das Nações Unidas para o Oriente Médio, Nickolay Mladenov, acusou na quarta-feira Abbas de repetir "insultos antissemitas desdenhosos" ao sugerir que o papel dos judeus no setor bancário levou à perseguição na Europa.

Na sexta-feira, Abbas se desculpou e reiterou sua condenação ao Holocausto "como o crime mais hediondo da história".

O ministro da Defesa de Israel, Avigdor Lieberman, imediatamente rejeitou o pedido de desculpas e disse que Abbas era um "patético negacionista do Holocausto".

Os membros do Conselho têm até as 16h locais (17h de Brasília) para sugerir objeções ao rascunho da declaração.

Os Estados Unidos já vetaram duas declarações preliminares no Conselho expressando preocupação com a violência em Gaza, na qual quase 50 pessoas foram mortas pelas forças israelenses.

O governo americano avança com os planos de abrir sua embaixada em Jerusalém em 14 de maio, uma medida que poderá alimentar ainda mais a violência.

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