Trump cada vez mais enrolado em escândalo por pagamento a atriz pornô

Washington, 4 Mai 2018 (AFP) -

Versões contraditórias e revelações explosivas: cada vez mais enrolado pelo escândalo Stormy Daniels, Donald Trump se viu forçado a apresentar sua defesa nesta sexta-feira (4) em um caso que ameaça se tornar outra dor de cabeça legal.

Questionado pela imprensa por suas recentes declarações e as de um assessor legal sobre o caso da atriz pornô que afirma ter tido um caso com o presidente em 2006 e recebido um pagamento de 130 mil dólares para não revelá-lo, Trump negou estar mudando a versão dos fatos, acusando a imprensa de propagar "lixo".

Daniels, cujo nome de batismo é Stephanie Clifford, afirma ter recebido o pagamento no âmbito de um acordo de confidencialidade para silenciar sua suposta relação com Trump, que teria acontecido quando o magnata já era casado com Melania, sua atual esposa. Michael Cohen, advogado pessoal do presidente, admitiu ter feito o pagamento para a atriz antes da eleição de novembro de 2016.

Até agora Trump havia negado ter conhecimento desse pagamento, admitindo apenas que Cohen o representava no litígio contra Stormy Daniels.

Mas então apareceu Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova York e novo membro da equipe jurídica da Casa Branca, com declarações explosivas.

De fato, Giuliani declarou na quarta-feira à Fox News que o magnata republicano havia reembolsado Cohen "durante vários meses". Depois, Giuliani disse ao New York Times que Trump enviou a Cohen entre 460 mil e 470 mil dólares para reembolsar a quantia dada à atriz, bem como "despesas secundárias", sem dar mais detalhes.

- 'Lixo' -Na quinta-feira, visivelmente contrariado, o presidente mudou radicalmente de estratégia, admitindo que reembolsou os famosos 130 mil dólares a Cohen.

Em uma série de tuítes explicativos em um tom calmo, contrastando com o seu estilo frequentemente irritado, Trump assinalou que Michael Cohen "recebia um adiantamento mensal pelos honorários" e que este montante, portanto, "não tem nada a ver com a campanha".

Embora tenha pego de surpresa os assessores da Casa Branca, a confirmação por Giuliani de que Trump reembolsou Cohen com seu dinheiro buscou neutralizar as acusações de que o pagamento à atriz provinha de fundos da campanha, o que constituiria uma violação das leis sobre finanças eleitorais, como alguns críticos do presidente já haviam começado a considerar.

Mas Trump disse que Giuliani ainda "tem que entender bem os fatos" e negou uma mudança em sua versão do caso.

"Não estou mudando nenhuma história", afirmou Trump nesta sexta-feira a uma jornalista que lhe perguntou o motivo pelo qual mudou sua versão.

"A única coisa que estou falando é que este país está funcionando sem problemas. E trazer esse tipo de lixo e essas caças às bruxas o tempo todo... isso é tudo do que vocês querem falar", lançou.

"Quando Rudy fez essa declaração - Rudy é genial -, Rudy havia apenas começado (em seu cargo na equipe jurídica da Casa Branca) e não estava plenamente a par de tudo", explicou.

Depois que especialistas afirmaram que Giuliani, ex-procurador federal, havia colocado em risco a posição legal de Trump com suas declarações, o novo assessor jurídico da Casa Branca tentou voltar atrás com seus comentários.

"Minhas referências sobre o momento (em que foi feito o reembolso) não se referiam ao conhecimento que o presidente tinha, mas sim a minha compreensão dessas medidas", assinalou em comunicado.

- 'Não fiz nada errado' -

Esta tormenta cresce enquanto Donald Trump permanece sob o olhar de Robert Mueller, o procurador especial encarregado da investigação sobre um eventual conluio entre a equipe de campanha de Trump em 2016 e a Rússia.

Nesta sexta-feira, o presidente afirmou estar disposto a falar com Mueller, mas somente se for tratado com "justiça".

"Adoraria falar com ele porque não fiz nada errado", disse à imprensa na Casa Branca. "Mas temos que assegurar de que serei tratado com justiça", acrescentou.

Também colocou em dúvida a integridade e imparcialidade de Mueller, reiterando sua avaliação de que na equipe do procurador "há 13 pessoas que são todas democratas". "Bob Mueller trabalhou para (Barack) Obama por oito anos", disse, em referência ao seu antecessor.

Robert Mueller foi nomeado chefe do FBI em 2001 pelo republicano George W. Bush (2001-2009), e deixou a Polícia Federal americana em 2013, durante a Presidência do democrata Barack Obama (2009-2017).

Trump e a Casa Branca criticam há meses a investigação do procurador especial, e vários representantes próximos ao presidente já foram interrogados no âmbito das investigações.

Nesta sexta-feira, o juiz federal T.S. Ellis inclinou a balança a favor de Trump ao acusar o procurador especial de denunciar por fraude bancária o ex-chefe de campanha do candidato republicano Paul Manafort com o único objetivo de forçá-lo a testemunhar contra o presidente.

Em um discurso para membros do lobby de armas NRA, Trump declarou que "o juiz Ellis (...) é realmente muito especial (...) e altamente respeitado".

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