Trump defende sua indicada para CIA, acusada de participar de tortura

Washington, 8 Mai 2018 (AFP) -

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu nesta segunda-feira (7) sua polêmica escolhida para dirigir a CIA, Gina Haspel, depois de informes de que ela poderia retirar sua indicação para evitar uma sabatina do Senado sobre sua participação em torturas.

Com uma longa carreira no serviço clandestino da Agência Central de Inteligência (CIA), onde atualmente é subdiretora, Gina dirigiu a célula de interrogatórios da agência na Tailândia, depois dos ataques do 11 de Setembro.

Nesta quarta-feira, ela pode enfrentar uma dura audiência de confirmação no Senado, depois que vários congressistas - incluindo o senador republicano John McCain, que foi torturado como prisioneiro de guerra no Vietnã - manifestaram reservas sobre sua participação na tortura de detidos.

Estes legisladores e grupos de direitos humanos reivindicaram detalhes sobre os métodos usados em prisões clandestinas de que a CIA dispunha em vários países no âmbito da "guerra contra o terrorismo".

Segundo vários informes, os suspeitos da Al Qaeda Abu Zubaydah e Abd al-Rahim al-Nashiri foram brutalmente interrogados, jogados contra as paredes e submetidos a várias sessões de "submarino" (um tipo de afogamento) em 2002 na Tailândia. Segundo se diz, Haspel participou na destruição de fitas de vídeo da CIA que registram os interrogatórios.

"O que quero que aconteça nesta sessão é que nesta sessão é que os americanos vejam quem é esta indicada e qual foi papel no período particular que transcorreu entre 2002 e 2007", disse o senador democrata Ron Wyden.

"Houve um montão de desinformação" por parte da CIA nos escassos documentos sobre a corrida de Haspel que publicou a agência, acrescentou.

"Minha muito respeitada indicada para ser diretora da CIA, Gina Haspel, foi criticada porque foi muito dura com os terroristas", tuitou Trump, nesta segunda de manhã.

"Pensem nisso, nesses tempos tão perigosos, temos a pessoa mais qualificada, uma mulher, que os democratas querem FORA porque é muito dura com o terror. Vença, Gina!", acrescentou.

Citando funcionários de alto escalão, o jornal "The Washington Post" publicou no domingo que a própria Haspel disse que retiraria sua indicação diante da perspectiva de uma dura audiência no Senado. A sabatina poderia prejudicar sua reputação e a da agência.

Segundo o jornal, Trump decidiu pressioná-la para que mantenha sua indicação.

A CNN noticiou na segunda-feira que a Casa Branca já tinha identificado um candidato de substituição se Haspel não pode ser confirmada.

Mas a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, disse que Haspel tem "uma compreensão sem precedentes da CIA e que é a pessoa adequada para liderá-la nestes tempos perigosos"

Haspel, de 61 anos, é amplamente respeitada na comunidade de Inteligência como uma agente de campo disciplinada que assumiu posições difíceis e trabalhos desagradáveis. Depois de se tornar subdiretora da CIA há um ano, Trump a indicou para o posto mais importante da agência, no lugar de Mike Pompeo, recentemente confirmado como secretário de Estado.

Segundo vários informes, os suspeitos da rede Al-Qaeda Abu Zubaydah e Abd al-Rahim al-Nashiri foram brutalmente interrogados, agredidos contra a parede e submetidos a vários "submarinos" em 2002, na Tailândia. Gina teria participado da destruição de fitas de vídeo da CIA que registram os interrogatórios.

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