Soldado israelense recebido como herói após cumprir pena por matar um palestino

Ramla, Israel, 8 Mai 2018 (AFP) -

Um soldado israelense condenado por homicídio por ter atirado em um palestino ferido foi libertado nesta terça-feira e recebido como herói por um grupo de simpatizantes depois de passar nove meses na prisão, metade do tempo previsto na sentença original.

O soldado Elor Azaria foi condenado a 18 meses de prisão por ter atirado em 2016 na cabeça do palestino Abdel Fattah al-Sharif na cidade de Hebron, na Cisjordânia ocupada.

Quando foi atingido, Al-Sharif estava no chão, indefeso.

Após deixar a prisão, Azaria seguiu para sua casa, onde era aguardado por um grupo de seguidores. Ele foi carregado no ombro por um homem e depois desfilou pelas ruas em uma pequena caravana de carros e motocicletas.

"Passamos por um período difícil, muito difícil", disse o pai de Azaria, Charlie.

"Hoje estamos celebrando. Em breve teremos um momento e um lugar para dizer o que temos a dizer", completou.

Azaria não falou com os simpatizantes, mas, sorridente, se deixou levar pela celebração. Alguns parentes usavam camisas com a foto do soldado.

O comandante de pessoal das Forças Armadas, Gadi Eisenkot, reduziu a pena de Azaria em quatro meses. Em março, uma comissão de liberdade condicional determinou uma nova redução da pena, para um total de nove meses.

Azaria foi libertado dois dias antes do previsto e, quando souberam da notícia, os simpatizantes seguiram para a casa da família em Ramla, perto de Tel Aviv, incluindo o prefeito da cidade.

De acordo com a imprensa, Azaria deixou a prisão militar de Tzrifim mais cedo para participar no casamento de seu irmão.

Uma faixa diante da residência dos Azaria tinha a frase "Bem-vindo Elor, o herói".

O ministro da Educação de Israel, Naftali Bennett, dirigente do partido de extrema-direita Lar Judeu, felicitou Azaria no Twitter.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que estava feliz com a conclusão do caso.

- "Não podemos fazer nada" -Do outro lado da fronteira, a libertação do soldado israelense provocou indignação entre os palestinos, que o início consideraram a sentença muito pequena.

A mãe do palestino atingido por Azaria expressou resignação.

"Não podemos fazer nada", disse à AFP Rajaa al-Sharif em sua casa de Hebron.

"Isto é algo natural para eles, os israelenses", completou.

O ministério palestino das Relações Exteriores chamou a sentença de "racista" e acusou Israel de "estimular a ocupação de soldados para continuar com as execuções de cidadãos palestinos desarmados, com plena cobertura e proteção das autoridades de ocupação".

Elor Azaria, que tinha 19 anos no momento em que atirou no palestino, estava preso desde 9 de agosto de 2017. Em Israel, os presos podem ser beneficiados pela redução da pena em um terço por bom comportamento.

A ação que matou o palestino foi filmada por um grupo de defesa dos direitos humanos e amplamente divulgado nas redes sociais.

O vídeo mostra Al-Sharif, de 21 anos, no chão ao lado de outro palestino. Ele estava ferido quando tentou atacar com uma faca um grupo de soldados israelenses, segundo o exército israelense.

Onze minutos depois do tiroteio inicial, Azaria, sargento e médico militar no momento do incidente, atira na cabeça do palestino sem nenhuma provocação aparente.

jjm-hb-jod-scw/mjs/hkb/pb.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos