Entenda o funcionamento das eleições legislativas no Iraque

Bagdá, 9 Mai 2018 (AFP) - Os iraquianos elegem seus 329 deputados em 12 de maio. Após a votação, os membros eleitos ao Parlamento a partir de listas partidárias terão a tarefa de formar um governo e eleger um primeiro-ministro e um presidente.

Após a invasão liderada pelos Estados Unidos, em 2003, e à queda de Saddam Hussein, o Iraque celebrou suas primeiras eleições gerais em janeiro de 2005, com a escolha de um Parlamento com a tarefa de esboçar uma nova Constituição.

Depois, celebrou eleições parlamentares em dezembro de 2005, com dois pleitos subsequentes em 2010 e 2014.

A seguir, tudo o que você precisa saber sobre as eleições parlamentares iraquianas de 2018.

HABITANTES: mais de 35 milhões.

ELEITORES: perto de 24,5 milhões, distribuídos em 18 províncias consideradas circunscrições. Os iraquianos no exterior poderão votar em 19 países.

CANDIDATOS: 6.982, sendo 2.014 mulheres.

SEÇÕES DE VOTAÇÃO: 8.148, todas equipadas para o voto eletrônico. Segundo as autoridades, foram distribuídas cerca de 11 milhões de cédulas de identidade biométricas.

Os 285.564 refugiados internos votarão em 166 seções de votação, instaladas em 70 campos em oito províncias do país.

Os iraquianos no exterior poderão votar em 19 países.

ASSENTOS DISPONÍVEIS: 329, sendo nove para as minorias (cristãos, shabak, yazidis, sabeus e curdos fayli - xiitas) e 83 para as mulheres.

DURAÇÃO DO MANDATO PARLAMENTAR: 4 anos.

TIPO DE ESCRUTÍNIO: proporcional. Os eleitores votam em uma lista e depois os assentos são atribuídos aos diferentes partidos proporcionalmente ao número de votos que obtiveram. Os candidatos eleitos assumem os cargos em função de sua posição na lista.

Há 87 partidos inscritos nas eleições deste ano:

- COALIZÃO DA VITÓRIA, liderado pelo premiê em fim de mandato, Haider al-Abadi. Este ano, pela primeira vez desde a queda de Saddam Hussein, em 2003, seu opositor histórico, o partido Dawa, está dividido. Abadi, que chefia a formação, lidera uma lista composta majoritariamente por personalidades vindas da sociedade civil, que ultrapassam as linhas confessionais.

- ALIANÇA DA CONQUISTA, liderado por Hadi al-Ameri, dirigente da organização Badr e líder das Hachd al-Shaabi, unidades paramilitares que desempenharam um papel-chave na contenção do grupo Estado Islâmico (EI). Estes candidatos deixaram oficialmente suas funções militares para se lançar na política.

- ALIANÇA DO ESTADO DE DIREITO, do ex-premiê Nuri al-Maliki. Apoia-se principalmente no partido Dawa, que Maliki liderou antes de deixar o poder em 2014. Popular entre os funcionários contratados sob seu mandato, é alvo de críticas dirigidas a Maliki porque o EI se apropriou de um terço do país enquanto ele esteve no poder.

- MARCHA PELAS REFORMAS, aliança inédita entre o líder xiita Moqtada al Sadr e os comunistas. É composta de seis formações majoritariamente laicas, entre elas o Partido Comunista Iraquiano (PCI) e o Istiqama (integridade em árabe), um partido de tecnocratas apoiado por al Sadr, que suspendeu seu grupo parlamentar, Ahrar, e conclamou seus 33 deputados a não se candidatar.

- OS SUNITAS se apresentam em várias listas, sendo a principal delas "A Aliança Nacional", liderada pelo vice-presidente xiita Iyad Allaoui - mas que se apresenta como um laico - e o presidente sunita do Parlamento, Salim al-Joubouri. Debilitados após três anos de dominação do EI, os sunitas podem ser os maiores perdedores desta eleição.

- OS CURDOS vão disputar estas eleições em campos divididos para preencher os 46 assentos da região autônoma, sendo dois reservados aos cristãos. Os principais partidos curdos são os históricos Partido Democrático do Curdistão (PDK, do clã Barzani) e a União Patriótica do Curdistão (UPK, do clã Talabani); e a oposição, entre as quais as principais forças são o Jamaa Islamiya, o movimento "Nova geração", criado recentemente, e Goran (mudança, em curdo).

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