Na relação China-Japão, íbis sobrevoa diplomacia do panda

Tóquio, 9 Mai 2018 (AFP) -

A China é conhecida por usar seus adoráveis ursos panda como ferramenta diplomática, mas, para marcar sua aproximação com o Japão, ofereceu-lhe um presente ainda mais simbólico: dois íbis-de-crista.

Para alguns, esta ave pode não parecer especialmente atraente. Tem uma cara cor de vermelho-fogo com um bico comprido e estreito, torcido para baixo, e a crista que lhe dá o nome se assemelha ao cabelo de um velho roqueiro.

Desde que o último íbis-de-crista - ou íbis-do-Japão - selvagem morreu no Japão em 2003, levando à extinção da espécie em sua terra de origem, Tóquio se voltou para outros países na tentativa de reintroduzir essa ave.

O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, de visita no Japão, deve firmar um acordo para entregar um casal desses pássaros, quando se reunir com seu homólogo japonês, Shinzo Abe, na quarta-feira à tarde.

Serão os primeiros íbis que a China presenteará em anos, depois que Pequim a ajudou a reintroduzir a espécie no Japão com várias doações há mais de uma década.

Centenas de íbis-de-crista vivem agora no Japão, descendentes das poucas aves que lhe foram dadas, mas os ambientalistas temem que a herança genética comum dessa população a torne vulnerável às doenças.

O íbis-de-crista tem uma longa tradição no Japão: aparece em obras de arte e em obras literárias com séculos de antiguidade e já foram tão comuns em uma época que chegaram a ser considerados uma praga.

Foi alvo de caça intensiva por suas plumas brancas e por sua carne, porém. Nem mesmo sua classificação como espécie protegida conseguiu conter o desenvolvimento urbanístico que dizimou seu hábitat natural.

O mimo de plumas chamou a atenção da imprensa japonesa e foi muito bem recebido pelos ecologistas, mas o Japão ficará sem outro presente diplomático chinês mais icônico.

Segundo a imprensa local, Tóquio esperava que Pequim emprestasse vários pandas gigantes aos zoos de Kobe e Sendai, mas, aparentemente, não se chegou a um acordo a tempo para a visita do premiê Keqiang.

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