Em busca de pistas, Polícia do Rio reconstituirá assassinato de Marielle

Rio de Janeiro, 10 Mai 2018 (AFP) -

A Polícia realizará nesta quinta-feira (10) no Rio de Janeiro uma reconstituição do assassinato da vereadora do PSOL e ativista negra Marielle Franco, em uma tentativa de impulsionar a investigação sobre um crime que ainda não deteve ninguém.

Em 14 de março, Marielle, socióloga de 38 anos, foi alvejada dentro de seu carro junto com o motorista Anderson Gomes, em um episódio que causou comoção no país, mas que ainda não foi resolvido.

A Polícia é alvo de críticas crescentes pela falta de resultados.

Na noite desta quinta-feira, agentes da Delegacia de Homicídios da Capital reconstituirão o momento em que Marielle e Anderson foram assassinados por 13 disparos feitos de um automóvel que estava a apenas dois metros de distância.

"Durante a reprodução poderão ser disparados tiros em pontos específicos para análise da perícia. Por esse motivo toda a área será bloqueada para o acesso de pedestres e veículos", anunciou a Polícia em comunicado.

Marielle era uma ferrenha crítica da violência policial e das execuções extrajudiciais nas comunidades. Sua figura como porta-voz das minorias, em particular das mulheres negras e da comunidade LGBT, estava em pleno crescimento após ter se tornado a quinta vereadora mais votada do Rio.

No mês passado, o ministro da Segurança, Raul Jungmann, já havia adiantado que as milícias eram as principais suspeitas do assassinato.

Em 2008, Marielle participou de uma CPI que desmascarou e puniu as até então intocáveis milícias.

Na quarta-feira, o jornal O Globo publicou as declarações de uma suposta testemunha que envolveu um vereador e um membro das milícias como responsáveis pela execução.

Segundo a testemunha, que pediu proteção, o vereador Marcello Siciliano e o ex-policial Orlando Oliveira de Araújo, atualmente preso, teriam ficado irritados com as ações de Marielle Franco na Zona Oeste do Rio, onde o primeiro tem interesses eleitorais e o segundo comandava uma milícia.

Siciliano negou as acusações na quarta, afirmando à imprensa que estava "sendo massacrado nas redes sociais por algo que foi dito por uma pessoa que a gente não sabe nem a credibilidade que tem. Nunca tivemos conflitos políticos", declarou.

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