Mães mexicanas marcham para exigir localização de filhos desaparecidos

México, 10 Mai 2018 (AFP) -

As fotografias de centenas de pessoas desaparecidas no México, impressas em cartazes, circularam pelas avenidas centrais da capital, em uma marcha dedicada ao Dia das Mães para exigir às autoridades que sejam encontrados, constatou a AFP.

"Onde estão, onde estão? Nossos filhos, onde estão?", gritavam as mães, algumas vestidas de branco, durante a marcha do Monumento à Mãe ao emblemático Anjo da Independência, onde se concentraram.

"Esses rostos falam de uma enorme tragédia humana, é a voz deles que deve ser ouvida para tocar os corações mais duros", disse Jan Jarab, representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, nos degraus do Anjo repletos de fotografias dos desaparecidos.

Maria Elena Medina, de 52 anos, marchou por seu marido e um dos seus filhos, sequestrados por homens armados em 2008 e 2009, respectivamente.

Com a voz embargada, esta mulher diz que seu pequeno corpo "nunca" deixará de exigir que o governo os encontre.

"Somos movidos pela imensa dor, coragem e desamparo, e isso não vai acabar", diz ela, ainda observando seus próprios passos.

Hilario Garcia e sua esposa, ambos com 70 anos, se juntaram às manifestações desde o início do ano passado quando sua filha desapareceu na perigosa cidade de Ecatepec, vizinha à capital mexicana e com as maiores taxas de feminicídio.

"O que me deixa mais impotente é que não há um banco de dados confiável de desaparecidos, ou outro sobre os milhares de corpos que vão para as fossas comuns", diz García, à beira do choro.

Desde 2006, cerca de 35 mil pessoas desapareceram, segundo dados oficiais, embora investigadores e ativistas digam que o número pode ser maior.

Em muitos casos, tratam-se de vítimas de desaparecimentos forçados, confusões de pistoleiros, ou acerto de contas entre traficantes de drogas. Muitas vezes, seus parentes e as autoridades descobrem fossas clandestinas.

O número oficial de assassinatos no México ultrapassou os 200 mil desde que o governo lançou uma polêmica ofensiva militar contra o narcotráfico no final de 2006.

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