Irã faz giro diplomático para salvar acordo nuclear

Teerã, 13 Mai 2018 (AFP) -

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, começa, neste sábado (12), uma viagem que o levará à China, à Rússia e a Bruxelas com o objetivo de preservar os interesses econômicos de seu país e salvar o histórico acordo nuclear após saída dos Estados Unidos.

Zarif sairá de Teerã rumo a Pequim, antes de viajar para Moscou e Bruxelas, onde se reunirá com seus homólogos francês, alemão e britânico, assim como com Federica Mogherini, representante europeia para as Relações Exteriores.

Em nota divulgada na sexta-feira (11), o governo iraniano condenou a "administração extremista" do presidente americano, Donald Trump, por abandonar "um acordo reconhecido como uma vitória diplomática pela comunidade internacional".

Também reafirmou que o Irã quer retomar "o enriquecimento industrial" de urânio "sem nenhuma restrição", a menos que a Europa dê garantias de que manterá suas relações comerciais com o país, apesar das novas sanções americanas.

No sábado, Donald Trump respondeu pelo Twitter: "O orçamento militar do Irã aumentou 40% desde que o acordo sobre o [programa] nuclear negociado pelo [presidente Barack] Obama foi fechado [...], mais um indicativo de que era uma grande mentira".

No acordo de 2015, o Irã se comprometeu a abandonar suas atividades nucleares em troca do abandono de parte das sanções internacionais contra sua economia.

A delicada missão diplomática de Zarif se tornou mais complicada com a ofensiva de Israel na Síria contra o que seriam alvos iranianos no país, na quinta-feira (10).

Segundo a ONG Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), que tem uma ampla rede de fontes no país, pelo menos 11 iranianos aparecem entre os 27 mortos pelos ataques.

O Irã parece determinado a não ser levado para um conflito aberto com Israel, o que complicaria as negociações para manter o acordo nuclear.

Israel e seus aliados acusam a Guarda Revolucionária, o Exército de elite iraniano, de lançar foguetes contra parte das colinas de Golã, ocupada por Israel.

- 'Crise depressiva' -Em Teerã, os diplomatas europeus lamentam a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear conquistado após anos de negociações.

"Desde a assinatura do JCPOA [sigla em inglês do acordo nuclear], temos passado de uma atmosfera de febre do ouro para uma crise depressiva", disse um diplomata ocidental que não quis se identificar.

"Agora, esperamos a reação dos dirigentes da União Europeia e, se a UE quiser se estabelecer com os Estados Unidos, todos os avanços que fizemos desde 2015 [quando o acordo foi assinado] serão perdidos", acrescentou.

Os ultraconservadores iranianos já estão se mobilizando contra os esforços do governo para salvar o acordo nuclear.

"Os responsáveis não deveriam confiar na França nem no Reino Unido. Não abandonarão os Estados Unidos por nós", disse Poormoslem, uma mulher que participou de uma manifestação contra os Estados Unidos na sexta-feira.

Os analistas apontam que o Irã tentará melhorar sua imagem internacional nas próximas semanas.

"Pela primeira vez, o Irã tem a oportunidade de demonstrar ao mundo que não é o Estado pária que querem fazer acreditar, que negocia de boa-fé e respeita seus compromissos", disse Karim Emile Bitar, do instituto Iris de Paris.

Mas, no plano interno, o governo enfrenta desafios políticos importantes, com uma economia que já tinha uma alta taxa de desemprego e inflação antes da decisão de Trump. Dentro do Irã, muitos acreditam que as sanções servem ao governo como bode expiatório para seus próprios erros.

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