Irã tenta limitar papel de Moqtada Sadr, vencedor das eleiçõe no Iraque

Bagdá, 16 Mai 2018 (AFP) -

As negociações políticas continuavam nesta quarta-feira no Iraque, onde o vizinho Irã tenta reforçar sua influência limitando o futuro papel de Moqtada Sadr, o vencedor das eleições legislativas que se aproximou recentemente da Arábia Saudita.

Moqtada Sadr está longe de ser capaz de garantir um governo para o Iraque pelos próximos quatro anos, mesmo com sua aliança sem precedentes entre clérigos xiitas e os comunistas (A Marcha pela Reforma).

"Matematicamente, legalmente e constitucionalmente, é possível" formar uma coalizão que governe sem ele, aponta Fanar Hadad, especialista em Iraque da Universidade de Cingapura. Embora "seja politicamente difícil", admite.

No entanto, este é o plano pelo qual o Irã enviou a Bagdá o influente general Ghasem Suleimani, que regularmente intervém nos assuntos políticos e militares iraquianos, mas sempre de modo sigiloso.

Desde segunda-feira ele se reuniu com diferentes forças políticas, indicaram à AFP várias autoridades. Ele vetou qualquer aliança com Moqtada Sadr, que vem de uma linha de dignitários religiosos, respeitados opositores, que regularmente provocam o Irã em defesa da independência política do Iraque.

A última bravata do ex-líder miliciano que se tornou o mensageiro da luta contra a corrupção foi sua visita ao grande rival regional do Irã, a Arábia Saudita.

- Governo de consenso? -

Na segunda-feira à noite, o general Suleimani instruiu os partidos xiitas conservadores a formarem pequenas formações para armar um bloco parlamentar grande o suficiente para obter o posto de primeiro-ministro, segundo um participante dessas reuniões à AFP.

O líder de uma unidade de elite da Guarda Revolucionária do Irã se reuniu com o primeiro-ministro Haider Al-Abadi, seu antecessor Nuri Al-Maliki e Hadi Al-Ameri, chefe da lista da Aliança da Conquista, entre outros.

Também proibiu qualquer aliança com o movimento Hikma, do xiita Ammar Al-Hakim, o vice-presidente sunita Osama Al-Nuyaifi e o Partido Democrático do Curdistão (PDK, de Massud Barzani).

A mensagem parece ter sido entendida. O porta-voz do gabinete de Maliki, Hicham Al-Rukabi, disse à AFP que o ex-primeiro-ministro está em negociações "com forças importantes, especialmente a Aliança da Conquista, os partidos sunitas, xiitas e curdos".

Moqtada Sadr, que estendeu a mão a várias forças, já descartou uma aliança com os ex-membros de Hashd e de Maliki.

Contra essa postura, "o Irã exercerá pressão para garantir que essas duas forças estejam na mesa de negociações", disse Hadad, e isso pode se traduzir em "um novo governo de consenso que inclui todas as partes e sem oposição formal ao Parlamento".

Este formato sempre prevaleceu desde as primeiras eleições multipartidárias de 2005 num país onde, para evitar qualquer retorno à ditadura após a queda de Saddam Hussein, o complexo sistema político foi calibrado para subdividir o Parlamento.

Cada eleição parlamentar é seguida por longas negociações para formar uma maioria governamental e, em 2010, a lista do laico Iyad Allawi, que chegou primeiro e rejeitou Teerã, foi descartada no jogo de alianças.

Moqtada Sadr já rejeitou em uma nova mensagem no Twitter um governo de alianças que ele descreveu como "uma mistura de boticário", defendendo um "governo de tecnocratas".

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