Liga Árabe exige investigação internacional sobre 'crimes' israelenses

Cairo, 17 Mai 2018 (AFP) -

A Liga Árabe (LA) exigiu nesta quinta-feira (17) uma investigação internacional sobre os supostos crimes das forças israelenses contra os protestos palestinos maciços na fronteira de Gaza com Israel e que provocaram dezenas de mortes.

Milhares de pessoas protestaram ao longo da fronteira da Faixa de Gaza com Israel desde 30 de março pedindo a volta dos refugiados palestinos a seus lares, agora dentro de Israel.

As maiores manifestações coincidiram com a transferência da embaixada americana em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, na segunda-feira, quando as forças israelenses mataram quase 60 palestinos.

"Pedimos uma investigação internacional crível sobre os crimes cometidos pela ocupação", declarou o líder da Liga Árabe, Ahmed Abul Gheit, em uma reunião extraordinária dos ministros árabes das Relações Exteriores no Cairo, nesta quinta, para falar sobre estes acontecimentos.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, receberá na sexta-feira uma cúpula de emergência em Istambul do principal organismo pan-islâmico do mundo, a Organização de Cooperação Islâmica (OIC), que disse que enviará "uma forte mensagem ao mundo".

Erdogan, que também anunciou a sua intenção de organizar uma manifestação pró-palestina, trocou duras acusações com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chamando Israel de "Estado de apartheid" e ordenando que o embaixador desse país na Turquia vá embora.

"Enfrentamos uma agressão flagrante contra o direito internacional e a legitimidade encarnada na transferência da embaixada americana para Jerusalém no Estado ocupado", disse Abul Gheit.

Israel rechaçou essas declarações, defendendo que suas ações são necessárias para impedir a invasão em massa a partir do bloqueado enclave palestino comandado pelo movimento islamita Hamas.

- Bombardeios de Israel -Na quarta-feira, oficiais israelenses aproveitaram as declarações de um membro do Hamas, que disse que 50 dos 62 palestinos assassinados esta semana pertenciam ao grupo, para argumentar que isso mostrava que os protestos não eram pacíficos.

Mas o membro do Hamas, Salah Bardawil, não deu detalhes se eram membros do grupo armado, ou da ala política, tampouco do que estavam fazendo quando foram assassinados.

Os protestos, que incluíram tentativas - sem sucesso - de quebrar a cerca, diminuíram desde segunda-feira, e o começo do mês sagrado islâmico do Ramadã pode desestimular ainda mais.

A sexta-feira, dia em que os protestos costumam alcançar seu auge, será um teste fundamental para saber se a atual rodada de confrontos continuará.

Em teoria, as manifestações terminariam em 15 de maio, mas membros do Hamas disseram que querem continuar.

As forças israelenses mataram 116 palestinos desde o início das manifestações, registrando apenas um soldado ferido em suas fileiras.

Israel bombardeou uma base do Hamas em uma incursão aérea nesta quinta-feira, afirmando responder a disparos de Gaza contra soldados. Ninguém ficou ferido em nenhum dos lados.

"O Exército israelense atingiu alvos do Hamas no norte da Faixa de Gaza, entre eles instalações para fabricar armas e infraestrutura terrorista", disseram as Forças Armadas israelenses.

Fontes de segurança palestina disseram que o objetivo era uma base do Hamas.

- Deter o derramamento de sangue -A reunião no Cairo de ministros árabes das Relações Exteriores foi marcada depois que o presidente do Egito, Abdel Fatah al-Sisi, disse na quarta-feira que seu governo estava falando com os dois lados "para deter este derramamento de sangue".

Israel rejeitou as críticas sobre a violência de segunda-feira e contou com o apoio dos Estados Unidos, que culpou o Hamas pelas mortes.

Israel travou três guerras desde 2008 com o movimento Hamas.

O Hamas declarou apoiar a mobilização de segunda-feira, assegurando que nasceu na sociedade civil e que era pacífica.

Para os israelenses, o Hamas usou as manifestações como disfarce para tentar atacar Israel, e também estimulou os manifestantes, incluindo mulheres e crianças, a arriscar suas vidas ao longo da cerca fronteiriça.

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