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Fotomontagem de Jerusalém embaraça embaixador americano

23/05/2018 09h36

Jerusalém, 23 Mai 2018 (AFP) - A embaixada dos Estados Unidos em Israel se distanciou nesta quarta-feira de uma fotomontagem apresentada no dia anterior ao embaixador David Friedman, na qual os locais sagrados muçulmanos de Jerusalém desaparecem, substituídos por um templo judaico.

Friedman foi fotografado na terça-feira, sorrindo, ao lado de uma imagem aérea de Jerusalém que lhe foi mostrada, mas que foi retocada.

Na imagem, o Domo da Rocha e a Mesquita Al Aqsa, na Esplanada das Mesquitas, desapareceram, dando lugar à reprodução de um templo judaico.

Diante da polêmica, a embaixada americana expressou sua desaprovação e indicou que os eventos ocorreram sem o conhecimento do diplomata.

A montagem toca um tema particularmente delicado. A Esplanada das Mesquitas é o terceiro lugar sagrado do Islã, mas também é reverenciada pelos judeus - sob o nome de Monte do Templo - por ser o local onde estava o templo destruído pelos romanos no ano 70.

Esses locais sagrados estão localizados em Jerusalém Oriental, a parte palestina da cidade anexada por Israel, no centro do conflito entre Israel e os palestinos.

Por razões históricas, está sob custódia da Jordânia, mas todo o acesso está sob o controle das forças israelenses.

É um local de culto para os muçulmanos, onde oram dezenas de milhares de fiéis a cada semana, enquanto os judeus só têm o direito de visitá-lo em horários específicos, mas são proibidos de orar.

Qualquer tentativa de desafiar este status quo inflama os ânimos dos muçulmanos. Uma minoria de judeus reivindica a soberania do lugar e promovem incansavelmente a reconstrução do templo. Um possível apoio americano seria explosivo.

A embaixada dos Estados Unidos garantiu que este não era o caso. "O embaixador Friedman não sabia o que a imagem que lhe foi mostrada representava", escreveu a embaixada no Twitter, "está profundamente desapontado". "A política americana é absolutamente clara: apoiamos o status quo".

A fotografia foi tirada durante uma visita à organização Ahiya em Bnei Brak (centro), que ajuda crianças com dificuldades de aprendizagem.

"Pedimos desculpas ao embaixador dos Estados Unidos em Israel e à embaixada", disse Ahiya em um comunicado.

O incidente ocorre menos de 10 dias após a transferência da embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém. Esta mudança indignou os palestinos, que interpretaram a ação como uma negação de suas reivindicações sobre Jerusalém Oriental.

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