Austrália ergue maior cerca para gatos do mundo para proteger biodiversidade

Sydney, 26 Mai 2018 (AFP) - Uma agência de preservação da biodiversidade construiu o que se acredita ser a cerca para gatos mais extensa do mundo na região central da Austrália para salvar os animais e a vegetação nativos de predadores felinos.

A Austrália tem a maior taxa de extinção de espécies do mundo e as populações em declínio são afetadas pela perda do hábitat e por animais introduzidos, como gatos, raposas e lebres, que se tornam selvagens e acabam matando espécies nativas do vasto continente.

A Conservação da Vida Selvagem Australiana (AWC) concluiu este mês a construção de uma longa cerca elétrica com 44 km de comprimento para criar uma área à prova de predadores de quase 9.400 hectares, 350 km a noroeste de Alice Springs.

"A Austrália não tem uma estratégia eficaz para o controle de felinos", declarou à AFP o diretor da AWC, Attius Fleming.

"A única forma de salvarmos as espécies mais ameaçadas da Austrália é estabelecendo estas áreas livres de felinos, usando cercas de preservação", prosseguiu.

Fleming disse que como parte do projeto - que é financiado com doações do governo e da população -, os gatos e outros animais selvagens estavam sendo removidos da área, e que mamíferos nativos ameaçados seriam reintroduzidos no ano que vem.

Entre os animais que serão reintroduzidos na região, de propriedade da AWC, estão pequenos marsupiais, como 'western quoll' (Dasyurus geoffroii), 'numbat' (Myrmecobius fasciatus), 'bilby' (Macrostis lagostis) e o roedor 'central rock-rat' (Zyzomys pedunculatus).

O projeto se estenderá em 2020 para cobrir uma área mais extensa, de 100 mil hectares, acrescentou Fleming.

Acredita-se que haja entre 10 e 20 milhões de gatos selvagens na Austrália.

Os gatos foram introduzidos pela primeira vez no final do século XVII no continente por imigrantes britânicos como animais domésticos, mas alguns se tornaram selvagens e se espalharam por todo o continente nos 100 anos seguintes.

Outras causas para o declínio populacional e extinção de espécies nativas incluem a predação por raposas selvagens, as mudanças climáticas, incêndios ou destruição do hábitat.

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