Venezuela liberta mórmon dos EUA em 'gesto' de 'paz' aos Estados Unidos

Washington, 27 Mai 2018 (AFP) - A Venezuela libertou neste sábado (26) o mórmon americano Joshua Holt e sua esposa, detidos há dois anos acusados de conspiração, o que considerou um "gesto" de "paz" aos Estados Unidos, que manteve as sanções apesar da atitude de Caracas.

Funcionários dos dois países disseram que Holt e sua esposa, a venezuelana Thamara Caleño, estão viajando para Washington, onde seriam recebidos pelo presidente Donald Trump e sua família às 19H00 locais (20H00 de Brasília).

O ministro venezuelano da Comunicação, Jorge Rodríguez, disse a jornalistas que a soltura foi concedida ao americano a pedido de Maduro, apesar das acusações de "espionagem" e "violência".

"Este é um gesto que enaltece nosso presidente (...) e que esperamos que seja lido por esses fatores que de forma permanente promovem a agressão e a violência contra a Venezuela como uma intenção profunda de busca de paz", disse.

A medida está enquadrada em "esforços para manter um diálogo respeitoso, relações diplomáticas de respeito, que permitam abrir comportas para evitar as agressões ás quais foi submetida" a Venezuela, acrescentou o funcionário do palácio presidencial de Miraflores.

No entanto, o governo americano decidiu manter as sanções econômicas contra a Venezuela, após qualificar de "farsa" a reeleição do presidente Nicolás Maduro.

"Muito contente de que Josh Holt esteja de volta à casa com sua família, onde sempre pertenceu. As sanções continuam até que a democracia volte à Venezuela", escreveu o vice-presidente Mike Pence em sua conta no Twitter.

As relações entre os dois países, que não trocam embaixadores desde 2010, estão especialmente tensas desde a imposição de novas sanções econômicas de parte de Washington após as eleições de 20 de maio, nas quais Maduro foi reeleito.

Os Estados Unidos impuseram em 2015 as primeiras sanções contra funcionários venezuelanos, que afetam atualmente 70 pessoas e cerca de trinta entidades, entre elas a petroleira PDVSA, mas as medidas foram endurecendo desde agosto passado com o objetivo declarado do governo Trump de "restaurar a democracia" na Venezuela.

As medidas foram repudiadas por Maduro e resultaram na expulsão mútua dos máximos representantes diplomáticos dos dois países esta semana.

- "Esforços cruciais" - Holt havia pedido às vésperas das eleições que os Estados Unidos não o abandonassem. Os apelos foram difundidos em redes sociais durante uma filmagem na sede do Serviço de Inteligência (Sebin), em Caracas, onde o mórmon estava recluso, após ter sido detido em 30 de junho de 2016 com sua esposa, com quem viajou para se casar após conhecê-la na internet.

Ambos foram detidos por posse de armas de guerra encontradas no apartamento. Segundo a família de Caleño, o fuzil AK-47 e a granada encontrados em um armário foram colocados ali pelo próprio esquadrão que os prendeu.

Neste sábado, Holt aparecia sorridente em vídeos difundidos pela imprensa e por ONGs, embarcando em um avião com sua esposa, acompanhados de Bob Corker, presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado americano.

Corker, que se reuniu na sexta-feira com Maduro após "meses de reuniões" com representantes dos dois países, segundo Rodríguez, ajudava Holt a carregar uma bolsa preta. Holt vestia camiseta, jeans e tênis.

"Tive a honra de desempenhar um pequeno papel ao trazer Josh e sua esposa para casa", expressou o legislador em um comunicado, no qual comemorou o esforço "incansável" do seu colega, o senador por Utah Orrin Hatch, e a colaboração do Departamento de Estado americano.

Hatch, que publicou no Twitter um vídeo ao lado da mãe de Holt, Laurie, elogiou os "esforços cruciais" de Corker.

"Nos últimos dois anos, trabalhei com duas administrações presidenciais, inúmeros contatos diplomáticos, embaixadores de todo o mundo, uma rede de contatos na Venezuela e o próprio presidente Maduro, e não poderia estar mais honrado de poder reunir Josh com sua doce e sofrida família em Riverton", escreveu em um texto no Twitter.

A família de Holt comemorou a notícia, após "este tempo de angústia". "Estamos agradecidos a todos os que participaram deste milagre", disse, em uma breve declaração divulgada por seu advogado, Carlos Trujillo.

O senador americano Marco Rubio, feroz opositor do governo de Maduro, disse estar "muito feliz", após advertir na sexta-feira que isto não modificará a política de Washington com relação a Caracas.

"Era um inocente refém dos Estados Unidos na Venezuela e sua libertação INCONDICIONAL estava muito atrasada", disse Rubio, presidente do subcomitê de Relações Exteriores do Senado para o Hemisfério Ocidental.

O assessor de segurança nacional para assuntos latino-americanos de Trump, Juan Cruz, disse na sexta-feira que Washington planeja mais sanções a funcionários venezuelanos, mas buscará ser "muito cuidadoso" para evitar agravar a crise econômica e social em que o país está mergulhado.

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