General norte-coreano viaja aos EUA para preparar cúpula Trump-Kim

Washington, 29 Mai 2018 (AFP) - Um dos generais de maior patente da Coreia do Norte está a caminho dos Estados Unidos para uma incomum visita a fim de preparar a aguardada cúpual entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-Un, que parece estar novamente de pé.

"Formamos uma equipe excelente para nossas discussões com a Coreia do Norte. Atualmente estão ocorrendo reuniões visando à cúpula, e mais. Kim Young Chol, vice-presidente do partido no poder na Coreia do Norte, viaja agora para Nova York.

"Uma sólida resposta à minha carta, obrigado!" - tuitou Trump nesta terça-feira (29).

Depois da espetacular ruptura na semana passada, quando Trump escreveu a Kim Jong-Un para comunicar a suspensão da cúpula por causa da "hostilidade" do governo norte-coreano, agora há momentos de otimismo e frenesi diplomático duas semanas antes do aguardado encontro.

A Casa Branca assegurou nesta terça-feira que estão "preparando ativamente" a cúpula, prevista novamente para 13 de junho em Singapura, enquanto um porta-voz norte-coreano na ONU confirmou que "preparativos" continuavam no "mais alto nível".

Três séries de encontros estão sendo organizados em paralelo esta semana entre estes dois países que não têm relações diplomáticas e que meses atrás trocavam ameaças de ataques.

A reunião de mais alto nível será entre o secretário americano de Estado, Mike Pompeo, que na quarta e quinta-feira terá em Nova York seu terceiro encontro com o general Kim Yong Chol, após as duas visitas que fez a Pyongyang tempos atrás.

O enviado norte-coreano desembarcou no aeroporto de Pequim nesta terça-feira e deve se reunir com funcionários chineses antes de viajar aos Estados Unidos na quarta-feira, segundo a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

- Desnuclearização -Trata-se do funcionário norte-coreano de mais alto escalão a pisar em solo americano desde que o vice-marechal Joe Myong Rok se reuniu em 2000 com o presidente Bill Clinton.

Kim Yong Chol é alvo de sanções americanas desde 2010. Para sua chegada a Nova York essas sanções provavelmente foram suspensas. "Imagino que o necessário tenha sido feito", se limitou a comentar a respeito a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert.

No domingo, os negociadores americanos, liderados pelo embaixador de Washington nas Filipinas, Sung Kim, começaram a se reunir com seus homólogos norte-coreanos na localidade de Panmunjom, na zona desmilitarizada que separa as duas Coreias.

O secretário-geral adjunto da Casa Branca, Joe Hagin, se encontra em Singapura visando os preparativos logísticos da cúpula. Um fotógrafo da AFP pôde ver nesta terça-feira Kim Chang Son, um assessor muito próximo de Kim Jong-Un, na cidade-estado da Ásia.

Finalmente, Trump se reunirá em 7 de junho na Casa Branca com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, pouco antes da cúpula do G7 no Canadá.

Os diplomatas têm apenas duas semanas para concluir a preparação logística da cúpula e definir a agenda.

Washington exige de Pyongyang uma "desnuclearização completa, verificável e irreversível" antes de qualquer suspensão das pesadas sanções internacionais que afetam a Coreia do Norte em represália por seus programas nuclear e balístico.

Mas Pyongyang nunca aceitou pagar esse preço, considerando seu arsenal uma garantia da sobrevivência do regime.

Kim Yong Chol é parte do entorno próximo de Kim Jong-Un e desempenhou um papel importante na aproximação diplomática que levou à distensão na península coreana nos últimos meses. Em fevereiro, na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos da Coreia do Sul, estava sentado atrás da filha de Donald Trump Ivanka.

Além disso, acompanhou Kim Jong-Un em suas duas viagens recentes à China.

O general, que entre 2009 e 2013 dirigiu os serviços de espionagem norte-coreanos, é uma figura muito controversa na Coreia do Sul, onde o acusam de ter autorizado o ataque, em 2010, contra a corveta sul-coreana "Cheonan", incidente no qual 46 marinheiros morreram. A Coreia do Norte nega ser responsável pelo caso.

Legisladores da oposição sul-coreana protestaram em fevereiro contra a visita de Kim, a quem chamaram de "criminoso de guerra diabólico".

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