Líderes líbios se comprometem a organizar eleições em 10 de dezembro

Paris, 29 Mai 2018 (AFP) - Os quatro líderes líbios reunidos nesta terça-feira em Paris com o presidente francês Emmanuel Macron se comprometeram a organizar eleições presidenciais e legislativas livres em 10 de dezembro, segundo um comunicado lido ao final da reunião.

"Nos comprometemos (...) a trabalhar de forma construtiva com a ONU para organizar eleições críveis e pacíficas e a respeitar seus resultados", afirma a "declaração política" assinada pelo primeiro-ministro do governo de unidade nacional Fayez al-Sarraj, o marechal Khalifa Haftar, homem forte do leste da Líbia, o presidente da Câmara de Representantes Aguila Salah e o do Conselho de Estado, Khaled al-Mechri.

A declaração foi lida em árabe e aprovada oralmente pelos quatro líderes líbios, a pedido do presidente francês Emmanuel Macron, mas não resultou em uma assinatura na frente das câmeras como originalmente planejado.

"Então, todo mundo trabalha juntos, bravo!", declarou o presidente francês, sorridente.

Em seguida, Macron evocou em uma conferência de imprensa um "encontro histórico, acompanhado por toda a comunidade internacional", bem como um "passo fundamental para a reconciliação" neste país mergulhado no caos sete anos após a queda de Muammar Khaddafi.

Esta reunião também foi descrita como "histórica" pelo enviado especial da ONU, Ghassan Salamé. "Nós não substituímos os líbios, são eles que estão se entendendo uns com os outros. Isso é fundamental", acrescentou, afirmando estar "otimista" sobre o processo lançado.

Por sua vez, o primeiro-ministro Fayez al-Sarraj lançou um apelo "para que os combates cessem em todas as partes da Líbia, porque muito sangue já foi derramado". "Nós chamamos todos ao diálogo", acrescentou ele, dirigindo-se a Macron e Salamé.

As autoridades líbias prometeram adotar uma "base constitucional para as eleições" e "estabelecer as leis eleitorais" até 16 de setembro de 2018.

As forças de segurança da Líbia "estarão encarregadas de garantir o processo eleitoral, com o apoio apropriado" da ONU, das organizações regionais e da comunidade internacional, indicaram, sem maiores detalhes.

Os responsáveis por qualquer "obstrução" ao processo eleitoral terão "que prestar contas", aponta o comunicado, sem especificar quais sanções poderiam incorrer.

Algumas milícias e movimentos jihadistas ativos na Líbia poderiam se opor à realização de tal votação, inclusive por meio da violência. Doze pessoas foram mortas em um ataque reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI) contra a sede da Comissão Eleitoral em 2 de maio em Trípoli.

Com o objetivo de "melhorar o clima para as eleições nacionais", a Câmara de Representantes de Tobruk vai se instalar em Benghazi e o governo paralelo estabelecido no leste do país terá que ser desmantelado.

As duas casas deverão "trabalhar imediatamente para unificar o Banco Central da Líbia e outras instituições", concordaram, enquanto o país enfrenta uma grave crise monetária.

As forças militares e de segurança, agora desintegradas em múltiplas milícias, além do autoproclamado Exército Nacional da Líbia (ENL) do marechal Haftar, também terão que se unificar sob os auspícios das Nações Unidas.

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