Britânico anti-Kremlin é liberado na Espanha após breve detenção

Madri, 30 Mai 2018 (AFP) - O britânico William Browder, um investidor que se tornou ativista anti-Kremlin e foi o chefe do falecido advogado russo anticorrupção Serguei Magnitsky, foi liberado nesta quarta-feira em Madri após ter sido brevemente detido em razão de uma "confusa ordem" de prisão que, segundo a Interpol, nunca existiu.

Browder foi "transferido a uma delegacia de polícia porque constava um mandado de prisão da Interpol em seu nome", indicou inicialmente à AFP a polícia espanhola.

Uma vez na prisão, constatou-se que a ordem "não era mais válida", então o financista de 54 anos foi liberado. Ele havia indicado em sua conta no Twitter que a prisão havia sido a pedido da Rússia.

No entanto, em sua sede em Lyon (França), a Interpol explicou que Browder não estava na lista de procurados, e afirmou que "nunca houve" um mandado de prisão contra ele.

Browder confirmou sua libertação em sua conta no Twitter, e afirmou que está na Espanha precisamente para fornecer provas sobre "a grande quantidade de dinheiro do caso Magnitski que foi para a Espanha".

"Agora que estou livre, minha missão continua", acrescentou o financista, que vive no exterior e se recusa a voltar para a Rússia.

Nos últimos anos, Browder realizou uma campanha internacional em memória de seu ex-empregado, o advogado Serguei Magnitski.

Ele havia sido preso em 2008 depois de denunciar uma vasta rede de corrupção montada segundo ele pela polícia e pelas autoridades fiscais russas.

Onze meses depois, em novembro de 2009, morreu na prisão, aos 37 anos de idade, e em 2013 foi condenado pela justiça russa por "evasão fiscal em grande escala", apesar de estar morto.

Por sua vez, em dezembro, Browder foi condenado à revelia por um tribunal de Moscou a nove anos de prisão por "falência deliberada" e evasão fiscal.

Sua campanha em memória de Magnitski teve um amplo impacto global. Em 2012, a "Lei Serguei Magnitski" foi aprovada nos Estados Unidos, que proibiu a concessão de vistos e congelou os bens de funcionários russos envolvidos na morte do advogado.

E no início deste mês, o Parlamento britânico apoiou uma medida destinada a impor sanções contra pessoas culpadas de violações dos direitos humanos, em memória do advogado Magnitski.

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