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Venezuela e Nicarágua devem dominar a assembleia anual da OEA

03/06/2018 15h10

Washington, 3 Jun 2018 (AFP) - A crise na Venezuela e na Nicarágua devem dominar a 48ª assembleia anual da Organização dos Estados Americanos (OEA), que inicia os debates nesta segunda-feira, em Washington.

A Assembleia da OEA, o foro político mais importante da região, reunirá na segunda e terça-feira as delegações dos 34 Estados membros, todos do continente, menos Cuba.

A discussão sobre a Venezuela, onde a recente reeleição do presidente Nicolás Maduro é questionada por boa parte da comunidade internacional, já foi decidida em uma reunião preparatória do organismo regional.

Mas a inclusão do tema na agenda oficial ainda deve ser aprovada, como o resto dos temas a tratar.

"O caso da Nicarágua não surgiu nos grupos de trabalho prévios, mas se espera que os países o evoquem dado o agravamento da situação", assinalou um diplomata.

O país centro-americano é sacudido desde 18 de abril por uma onda de protestos contra o governo de Daniel Ortega que já deixou mais de cem mortos em meio a uma brutal repressão por parte das forças públicas e grupos armados que as apoiam.

A OEA, que trabalha desde 2017 no país visando a reformar o sistema eleitoral nicaraguense, anunciou na sexta-feira que acertou com o governo um plano de trabalho até janeiro de 2019. Mas a oposição questiona porque acredita que isso dará um "respiro" Ortega, e pede mudanças imediatas, como a saílda do presidente.

O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, duramente criticado pelos opositores de Ortega, montou uma missão técnica que deve chegar neste fim de semana à Nicarágua para definir um plano de trabalho com o governo.

Almagro defende uma saída eleitoral para a crise política na Nicarágua, mas negou que o país esteja vivendo uma ditadura.

"Estamos muito longe de Cuba e Venezuela", afirmou na sexta-feira em entrevista à La Voz de América.

- Suspensão da Venezuela -A situação na Venezuela, por sua vez, já centrou as discussões das duas últimas assembleias-gerais da OEA, mas nunca como parte da agenda oficial.

Desta vez, os Estados Unidos, que aumentaram desde agosto passado as sanções econômicas a funcionários, ex-funcionários e entidades da outrora potência petroleira, aproveitarão para pedir a suspensão da Venezuela na OEA por violar seu compromisso democrático.

Uma fonte do governo Donald Trump disse que o vice Mike Pence estará presente nesta segunda na recepção oferecida pelo subsecretário de Estado John Sullivan na Casa Branca com membros da OEA, onde pedirá pessoalmente às nações membros que suspendam a Venezuela na organização regional.

O chefe da diplomacia americana Mike Pompeo tem previsto discursar ante a assembleia nesta segunda.

Já o presidente da Bolívia, Evo Morales, aliado de Caracas, condenou no Twitter a "intenção intervencionista" de Pence.

"O império pretende usar a OEA como garrote repressivo contra um país soberano", escreveu.

A Venezuela, que em abril de 2017 anunciou sua retirada da OEA, um processo que levará dois anos, está representada por seu chanceler, Jorge Arreaza.