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Melania Trump visita abrigo de crianças imigrantes na fronteira com México

21/06/2018 17h42

McAllen, Estados Unidos, 21 Jun 2018 (AFP) - A primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, fez nesta quinta-feira (21) uma visita surpresa à região da fronteira com o México, enquanto em Washington o Congresso adiou para sexta uma votação crucial para responder à crise provocada pela separação de milhares de crianças de famílias de imigrantes.

A esposa do presidente Trump visitou um abrigo de crianças, administrado pela Igreja luterana e um centro de triagem de imigrantes da guarda fronteiriça na localidade de McAllen, no estado do Texas.

"Quero saber como podemos ajudar estas crianças a se reunirem com suas famílias o quanto antes", disse a primeira-dama aos auxiliares do abrigo.

Segundo informações do gabinete de Melania, o abrigo reúne atualmente 60 crianças com idades entre os 5 e os 17 anos, provenientes de Honduras e El Salvador.

Enquanto isso, em Washington, a controvérsia provocada pelas informações sobre os mais de 2.300 crianças e menores separados de suas famílias aumentou a pressão sobre os legisladores para definir uma saída legal para a situação.

A secretária de Segurança Nacional, Kirstjen Nielsen, disse nesta quinta que "o Congresso tem a autoridade e a responsabilidade de fazer as leis e arrumar nosso sistema migratório. O Congresso tem que agir".

Um novo elemento somou-se à situação nesta quarta-feira, já que o presidente, Donald Trump, assinou um decreto pondo fim à separação de famílias na fronteira, depois de uma semana insistindo em que a única resposta possível estava nas mãos do Congresso.

Com o conflituoso tema da separação das famílias aparentemente superado, as divergências entre as posições defendidas por republicanos e democratas voltaram a ficar evidentes.

Os republicanos controlam as duas Câmaras do Congresso, mas no Senado têm uma maioria de apenas dois votos e, portanto, precisam do apoio de vários legisladores democratas para que qualquer lei migratória seja aprovada.

- Texto consensual -Na quarta-feira, o presidente da Câmara de Representantes, Paul Ryan, havia dito à imprensa que era necessário "aplicar leis sobre imigração sem dividir as famílias".

Um dos projetos debatidos define uma orientação de linha dura na fronteira.

O outro projeto é chamado "de compromisso", pois inclui concessões dos dois partidos para tentar avançar em uma legislação passível de ser aprovada e que aparentemente teria o apoio de Trump.

Este projeto também reforça consideravelmente a segurança na região fronteiriça, uma exigência dos legisladores mais conservadores, mas inclui provisões que são aceitáveis para os democratas.

Entre essas inciativas, o projeto determina a proibição da separação de famílias imigrantes e também formula uma solução definitiva para os jovens que chegaram ao país ainda crianças e regularizaram sua situação durante o governo do ex-presidente Barack Obama, conhecidos como "dreamers".

Estes imigrantes legalizados (que somam 700.000 em todo o país) estavam em um limbo legal desde que o presidente Trump decidiu não renovar suas permissões de residência.

A iniciativa inclui um mecanismo para destinar recursos para a construção de um muro na fronteira com o México e põe um ponto final à migração de familiares de residentes.

Duas cortes federais, no entanto, forçaram o governo a continuar renovando os documentos destas pessoas, e o projeto em discussão no Congresso visa a dar uma solução permanente para elas.

- Trump semeia incertezas -No entanto, na manhã desta quinta-feira ainda não estava claro o nível de apoio dos republicanos ao projeto mais ponderado, a raiz de mensagens contraditórias publicadas por Trump no Twitter.

"Qual é o propósito de que a Câmara de Representantes aprove uma boa lei se precisamos de nove votos de democratas no Senado e os democratas só estão interessados em criar obstáculos?", expressou o presidente.

Segundo números oficiais, entre março e maio deste ano, 50.000 pessoas foram detidas mensalmente por entrar clandestinamente no país.

Por força da nova política de "tolerância zero", o governo se propõe a processar todos os adultos que entrarem ilegalmente no país e este procedimento exige a separação das crianças e menores de idade.

Entre 5 de maio e 9 de junho tinham sido separadas 2.342 crianças por esta razão. Estes menores são mantidos em abrigos, divididos por cercas metálicas que se assemelham a jaulas.

Além disso, um elevado percentual de famílias de imigrantes pede asilo por medo da violência em seus países de origem, produzindo um quebra-cabeças legal que a Casa Branca espera que o Congresso solucione.

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