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Internacional

Itália e Malta barram embarcações com migrantes em seus portos

23/06/2018 16h03

Roma, 23 Jun 2018 (AFP) - As autoridades italianas mantinham neste sábado (23) seus portos fechados às embarcações de resgate com bandeiras estrangeiras, deixando no limbo um navio com 230 migrantes, fretado pela ONG alemã Lifeline, que aguarda uma solução em alto-mar.

Malta, que também veda a entrada do navio em seus portos, indicou ter enviado provisões para abastecer o navio "Lifeline".

"O 'Lifeline', um navio ilegal com 239 migrantes a bordo, está em águas maltesas", manifestou-se o ministro do Interior, Matteo Salvini (extrema direita) neste sábado no Facebook.

"Estes navios podem se esquecer de chegar à Itália, quero acabar com o negócio do tráfico e da máfia", acrescentou.

Estas declarações ocorrem na véspera de uma minicúpula em Bruxelas da União Europeia convocada para encontrar soluções para a acolhida de migrantes e refugiados, um tema que divide o bloco.

A crise migratória provocou atritos na Alemanha, onde a chanceler Angela Merkel enfrenta uma rebelião de seus aliados da coalizão devido à sua política.

Autoridades espanholas, por sua vez, informaram o resgate de mais de 750 migrantes, só alguns dias depois de o governo espanhol aceitar receber os mais de 600 migrantes que Itália e Malta recusaram-se a acolher.

A guarda costeira líbia, por sua vez, indicou ter resgatado mais de 200 migrantes náufragos em frente à sua costa, que tentavam chegar à Europa em duas embarcações. Cinco foram encontrados mortos.

- Ameaça de apreender barcos -Apenas três semanas depois de ter assumido o poder, o novo governo italiano executa sua promessa de campanha: frear a chegada de migrantes, ameaçando confiscar os navios que os transportam ou rejeitando-lhes o ingresso aos portos italianos.

O governo italiano ameaçou na quinta-feira confiscar os navios fretados da ONG Mission Lifeline, o "Lifeline", e da ONG Sea-Eye, o "Seefuchs", e enviá-los a portos italianos para investigar o status legal dos barcos.

A Itália acusa a ONG Lifeline de ter atuado em contravenção ao direito internacional, ao aceitar embarcar migrantes quando a guarda costeira líbia estava intervindo.

Na sexta-feira, Salvini disse que Malta deveria abrir seus portos ao "Lifeline" e que "claramente, o barco deveria ser confiscado imediatamente e sua tripulação, detida".

Mas o primeiro-ministro maltês, Joseph Muscat, disse que o "Lifeline" "quebrou as regras", ignorando as diretrizes italianas, e que deveria voltar ao seu primeiro destino.

"Apesar de não serem responsáveis (pela situação) #Malta acaba de entregar ajuda humanitária", enquanto suas forças armadas procederam à evacuação médica de um passageiro, disse.

Entretanto, o armador dinamarquês Maersk Line anunciou neste sábado que um de seus barcos porta-contêineres resgatou 113 migrantes na costa do sul da Itália e se encontra agora em frente ao porto siciliano de Pozzallo esperando instruções das autoridades.

Segundo a Lifeline, seu barco e o cargueiro da Maersk poderiam se reunir em frente à costa de Malta para tentar facilitar uma solução diplomática comum, assim como as operações de abastecimento dos migrantes.

Após a recusa da Itália a receber o "Aquarius", o tema dos migrantes voltou ao centro da agenda do bloco europeu.

O "Aquarius" dez ouvidos moucos à polêmica com a intenção de continuar com seu trabalho. Neste sábado, um fotógrafo da AFP a bordo do navio indicou que a tripulação estava respondendo a um pedido de socorro proveniente de águas tunisianas.

- Tensão na União Europeia - No domingo, em meio à tensão provocada pela decisão italiana, vários mandatários dos países da UE se reuniram em Bruxelas para analisar como ajustar o sistema de asilo do bloco, que está sob extrema pressão desde que estourou a crise migratória em 2015.

A chanceler alemã, que enfrenta uma rebelião em seu governo que tenta derrubar a política de abertura com que Berlim acolheu mais de um milhão de solicitantes de asilo, reduziu as expectativas de encontrar uma solução rápida.

"Sabemos que não haverá uma solução na quinta e sexta-feira entre os 28 membros sobre o tema da migração", disse em visita ao Líbano, em alusão à cúpula de chefes de Estado e de governo, na próxima semana, em Bruxelas. Segundo ele, devem ser alcançados acordos bilaterais e multilaterais.

O presidente francês, Emmanuel Macron, recebeu o chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, para conversar sobre o tema, em Paris. Ambos propuseram "centros fechados" para receber os migrantes em solo europeu, à espera de uma decisão sobre seu status de refugiados.

O ministro italiano Salvini denunciou no Twitter o "arrogante presidente francês" e seu governo, que "rejeita mulheres, homens e crianças", que tentam cruzar da Itália para a França pelos Alpes.

Para o cantor britânico Sting, em turnê por Atenas, todos os dirigentes europeus são uns "covardes", que deveriam seguir o exemplo grego, que no ano passado recebeu 58.661 pedidos de asilo.

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A.P. MOELLER-MAERSK

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