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Internacional

Coreias recordam o início da guerra, sem a retórica anti-EUA de Pyongyang

25/06/2018 10h32

Seul, 25 Jun 2018 (AFP) - As duas Coreias recordam nesta segunda-feira o início da guerra sem que a imprensa oficial norte-coreana recorra às tradicionais críticas antiamericanas.

O conflito na península começou em 25 de junho de 1950, quando o Norte invadiu o território vizinho e conquistou Seul três dias depois.

Pyongyang sempre acusou Washington de ter provocado a guerra como parte de um projeto de domínio mundial e considera o governo americano responsável pela divisão da península, decidida por Rússia e Estados Unidos nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial.

A cada 25 de junho a imprensa oficial norte-coreana critica os Estados Unidos, mas não este ano.

"Em 25 de junho de cada ano, nosso exército e nosso povo navegam no barco da memória, repleto de fé e de determinação para defender a nação", publicou o jornal Rodong Sinmun.

"O que surpreendeu então o mundo foi (...) a solidariedade de nosso povo para derrotar o inimigo", completa, sem mencionar quem era o inimigo em questão.

O texto é diferente do que foi publicado ano passado por exemplo, quando o jornal estatal citou os "imperialistas americanos" e acusou os Estados Unidos de terem cometido "um holocausto durante o qual massacraram uma quantidade incalculável de coreanos da maneira mais brutal e mais bárbara".

Analistas explicam a moderação pelo desejo do governo da Coreia de Norte de conservar o impulso obtido às relações com país fechado após a reunião de Singapura entre o dirigente norte-coreano, Kim Jong Un, e o presidente americano, Donald Trump.

A propaganda antiamericana mais virulenta desapareceu das ruas de Pyongyang.

As imagens dos disparos de mísseis e de militares que ficam perto das estações de trens foram substituídas por imagens relacionadas à indústria e agricultura.

A ausência de referência aos Estados Unidos "é notável", comentou Peter Ward, especialista em Coreia do Norte na Universidade Nacional de Seul.

Do outro lado da fronteira, em uma cerimônia em Seul, o primeiro-ministro Lee Nak-yon afirmou que o conflito começou "após uma invasão da Coreia do Norte".

Mas o chefe de Governo destacou a aproximação diplomática na península e as duas reuniões de cúpula entre as Coreias que aconteceram antes do encontro de Kim e Trump.

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