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Jornalista Mehmet Altan é libertado após quase dois anos preso na Turquia

27/06/2018 19h22

Istambul, 27 Jun 2018 (AFP) - O jornalista turco Mehmet Altan, condenado à prisão perpétua por envolvimento no golpe de Estado frustrado de 2016, foi libertado nesta quarta-feira (27), após quase dois anos de detenção, anunciou a ONG P24, que trabalha pela liberdade de imprensa.

Mehmet Altan, de 65 anos e apresentador de um programa político na televisão, deixou a prisão de Silivri, perto de Istambul, depois que um tribunal desta cidade decretou sua liberdade condicional.

A sentença e sua condenação à prisão perpétua não foram anuladas, e o jornalista está proibido de deixar o território turco, tendo que se apresentar regularmente às autoridades.

"Estou livre após 21 meses, mas sequer deveria ter sido preso", declarou em frente à prisão, segundo o P24. "Que a minha libertação traga esperança à via do direito e da democracia", disse ao ser recebido por amigos e colegas.

Detido em setembro de 2016, Mehmet Altan foi condenado em fevereiro à prisão perpétua junto com seu irmão Ahmet, escritor, e outra jornalista de renome, Nazli Ilicak, ao fim de um julgamento muito criticado na Turquia e no exterior.

O Tribunal Constitucional havia considerado em janeiro que o jornalista deveria ser libertado pois, em sua visão, seus direitos foram violados. No entanto, um tribunal turco se negou a fazê-lo. O Tribunal Europeu de Direitos Humanos também considerou em março que haviam violado os direitos de Altan.

Um tribunal regional de Istambul ordenou nesta quarta-feira em apelação a sua colocação em liberdade condicional, baseando sua decisão no caráter "obrigatório" da decisão do Tribunal Constitucional.

"Fizeram esperar por muito tempo a libertação de Mehmet Altan", declarou em comunicado o diretor para Europa da Anistia Internacional, Gauri van Gulik.

"Sua prisão era uma paródia de justiça emblemática das profundas falhas no seio do sistema judicial turco", considerou.

O tribunal de Istambul decidiu manter detidos Ahmet Altan e Nazli Ilicak, e adiou a continuação do julgamento em apelação até 21 de setembro.

Os jornalistas são acusados de ter vínculos com o grupo do clérigo Fethullah Gulen, que vive nos Estados Unidos e a quem Ancara culpa do golpe frustrado, o que ele desmente.

As condenações aos jornalistas se baseiam em uma aparição na televisão um dia antes da tentativa de golpe de Estado na qual supostamente enviaram "mensagens subliminares" pedindo a derrubada do governo de Recep Tayyip Erdogan.

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