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Internacional

Xi Jinping: China 'não é expansionista', mas não abandonará seu território

27/06/2018 13h40

Pequim, 27 Jun 2018 (AFP) - A China não é "expansionista", mas não sacrificará "um milímetro" de seu território - disse nesta quarta-feira (27) o presidente chinês, Xi Jinping, ao secretário americano da Defesa, Jim Mattis, em meio à tensão com Washington causada pelas pretensões de Pequim no mar da China.

Nesta primeira viagem de um chefe do Pentágono à China desde 2014, Mattis foi recebido hoje na sede do Exército Popular de Libertação, em Pequim, para uma guarda de honra, antes de se reunir com o chefe de Estado. O objetivo é encontrar áreas possíveis de cooperação bilateral, a despeito das profundas diferenças.

"Não podemos abstrair nossas diferenças. Sobre a questão da soberania e da integridade territorial da China, nossa atitude é firme e clara: não abandonaremos um milímetro do território que nossos ancestrais nos deixaram", disse Xi Jinping a Mattis, segundo a agência oficial de notícias Xinhua.

No início de maio, segundo Washington, o regime comunista mobilizou armamentos, incluindo baterias de mísseis e sistemas de bloqueio eletrônico sobre ilhotas do mar da China meridional, uma zona estratégica, onde Pequim se choca com as reivindicações territoriais rivais de países vizinhos, deflagrando a ira americana.

"Não seguimos nunca o caminho do expansionismo, ou do colonialismo, não contribuiremos para o caos no mundo (...) Não queremos absolutamente nada que pertença aos outros", declarou Xi Jinping, hoje, ao secretário dos EUA, que criticou recentemente as táticas "de intimidação e de coação" de Pequim no mar da China meridional.

- 'Irresponsável' -Em suas declarações públicas ao lado de Xi, hoje, no Palácio do Povo, Jim Mattis não tratou do assunto.

"Estou aqui para manter nossa relação na boa direção e para compartilhar ideias com seu Estado-Maior, examinar as direções para o futuro", explicou o secretário americano.

"Reforçar as trocas e os mecanismos (de comunicação) em todos os níveis entre nossos Exércitos contribuirá para dissipar os preconceitos, evitar os mal-entendidos, erros de cálculo e acidentes (...) Esperamos que a boa dinâmica das relações interexércitos continue", afirma Xi Jinping.

Pouco antes, o ministro chinês da Defesa, Wei Fenghe, com quem Jim Mattis se encontraria pela primeira vez, saudou uma "visita crucial para aumentar a confiança estratégica bilateral".

Pequim reivindica a quase totalidade do mar da China meridional em nome de uma presença histórica. Países próximos (Filipinas, Vietnã, Malásia, Brunei) se opõem às pretensões rivais.

Nos últimos anos, o gigante asiático acelerou a instalação de bases navais e aéreas em várias ilhotas reforçadas artificialmente, uma maneira de apoiar suas reivindicações territoriais.

Enquanto Jim Mattis denunciava a recente intensificação da mobilização militar chinesa, Pequim classificou essa acusação de "irresponsável" e disse se contentar com defender seu território.

- Pressão sobre Pyongyang -Essas iniciativas chinesas levaram o Pentágono a retirar um convite feito anteriormente a Pequim de participar do exercício "Rim of the Pacific" (Rimpac), amplas manobras marítimas, das quais quase 30 países participam a cada dois anos.

Antes da visita de Mattis, uma autoridade americana, que pediu para não ser identificada, lembrou que a exclusão de Pequim dos exercícios Rimpac poderia ser "apenas o primeiro passo" para manter a pressão no caso do mar da China meridional.

Outro pomo da discórdia: Taiwan, uma ilha administrada por um regime rival de Pequim desde o fim da guerra civil chinesa em 1949, mas que tem sua soberania reivindicada pelas autoridades comunistas. O governo taiuanês é um aliado próximo dos Estados Unidos, apesar da ausência de relações diplomáticas.

Em meio às diferenças, Jim Mattis espera obter de Pequim o compromisso de manter a pressão sobre o regime de Pyongyang para convencê-lo a renunciar às suas armas nucleares, depois da histórica cúpula de 12 de junho em Singapura entre o presidente americano, Donald Trump, e o dirigente norte-coreano, Kim Jong-un.

O secretário americano continua na quinta e sexta-feiras sua viagem asiática por Seul e Tóquio, para tranquilizar os aliados dos EUA após o abandono, por parte do governo Trump, dos tradicionais exercícios militares de americanos e sul-coreanos na região.

ph-jug/sg/tt

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