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Mudanças climáticas ameaçam os sítios arqueológicos do Ártico

28/06/2018 20h17

Montreal, 28 Jun 2018 (AFP) - Milhares de sítios arqueológicos situados no Ártico "estão desaparecendo rapidamente" como consequência das mudanças climáticas, a um ritmo que no Polo Norte é o dobro em relação ao resto do planeta, segundo um estudo internacional publicado nesta quinta-feira (28) na revista científica Antiquity.

O Ártico tem cerca de 180.000 sítios arqueológicos - no Ártico noruego (60%), Ártico canadense (19%) e Alasca (20%) - que "o clima frio e úmido" desta região "conservou de forma extraordinária" até relativamente pouco tempo atrás, lembram os autores do artigo, consultados pela AFP.

No entanto, as alterações causadas pelo aumento da temperatura da superfície da Terra "destroem muitos destes registros culturais e ambientais do Ártico", lamentam os arqueólogos polares, cujas conclusões se baseiam em 46 estudos anteriores.

Especialmente porque "muito poucos destes sítios foram escavados" e poderiam desaparecer antes de terem revelado seus segredos, indicam.

Os cientistas destacam duas ameaças em particular: "A intensificação do derretimento do permafrost", a camada permanentemente congelada que representa um quarto da superfície terrestre do hemisfério norte, e "a erosão costeira" devido ao aumento do nível das águas e à multiplicação de tempestades.

Estes dois efeitos importantes das mudanças climáticas já são responsáveis pelo desaparecimento de várias casas polares.

"Isto é uma catástrofe. A maioria dos sítios, entre eles vários dos mais importantes, desapareceram", declarou ao jornal Globe and Mail o arqueólogo polar Max Friesen, da Universidade de Toronto e um dos autores deste estudo.