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EUA: protestos contra a linha dura anti-imigração de Trump

30/06/2018 19h56

Washington, 30 Jun 2018 (AFP) - Manifestações contra a política de imigração de linha dura do presidente Donald Trump se espalharam pelos Estados Unidos neste sábado (30), à medida que aumentam os pedidos dos ativistas pelo fim da polícia migratória, a ICE (Immigration and Customs Enforcement), e pela reunião das famílias separadas.

Em Washington, a manifestação "Families Belong Together" ("As famílias devem ficar juntas") começou na Lafayette Square, onde uma multidão se reuniu diante da Casa Branca, antes de marchar para o Capitólio, sede do Congresso.

"Estamos protestando em Washington, DC, e em todo o país", afirmaram os organizadores da manifestação "Families Belong Together" em seu site.

Em Nova York, famílias, jovens, crianças e idosos - tanto recém-chegados quanto cidadãos de longa data - marcharam sob um sol forte como parte de um protesto que, segundo um policial, reunia "umas duas mil pessoas".

"Digam alto, digam claro, os refugiados são bem-vindos aqui", gritavam, também dando as boas-vindas aos muçulmanos.

Um grupo de percussionistas aumentou o fervor de uma multidão que carregava cartazes como "Nossa Nova York é uma Nova York Imigrante" e "Sem jaulas, sem proibições, sem muro".

"Suprimir o ICE", dizia outro cartaz, refletindo os crescentes pedidos de ativistas de eliminar a Agência de Imigração e Controle de Aduanas.

Boston, Chicago, Portland e Los Angeles também registraram multidões de manifestantes, com a participação de artistas como Alicia Keys e Lin-Manuel Miranda, em Washington, e John Legend em Los Angeles, assim como de legisladores democratas.

Meia centena de pessoas também marcharam em Ciudad Juárez, no lado mexicano da fronteira, e a circulação foi temporariamente interrompida no cruzamento fronteiriço de El Paso, no lado americano.

- "Realmente cruel" -Em uma tentativa de deter o fluxo de dezenas de milhares de migrantes na fronteira sul dos Estados Unidos, Trump ordenou em maio a prisão dos adultos que entram no país de modo ilegal, incluindo aqueles que solicitam asilo.

Muitos dos que tentam atravessar a fronteira entre Estados Unidos e México são pessoas pobres que fogem da violência das gangues e de outros problemas na América Central.

Como resultado da repressão ordenada por Trump, centenas de crianças foram separadas de suas famílias e mantidas em jaulas, uma prática que provocou indignação nacional e mundial.

Julia Lam, mãe e estilista aposentada de 58 anos que imigrou de Hong Kong para os EUA nos anos 1980, uniu-se ao protesto de Nova York com dois amigos e seus filhos pequenos.

"Acho que é realmente cruel separar os filhos", disse ela. "Estou enojada (...) Simplesmente não entendo como um ser humano faz uma coisa dessas", completou.

Courtney Malloy, uma advogada de 34 anos, disse que é importante mostrar apoio aos imigrantes e que as políticas do governo "não são os Estados Unidos".

"Isso não é o que defendemos e não está certo. E não ficaremos aqui vendo nosso país ser destroçado, e os bebês serem arrancados de suas mães", disse ela à AFP, segurando um cartaz que dizia "O único bebê que deveria estar em uma jaula é Donald Trump".

O presidente, que passou o sábado em seu campo de golfe Bedminster perto de Nova York, respondeu a distância: "Quando as pessoas entram ilegalmente em nosso país, devemos escoltá-las IMEDIATAMENTE de volta sem passar por anos de manobras legais. Nossas leis são as mais estúpidas do mundo".

"Os democratas querem fronteiras abertas e são fracos no crime!", insistiu.

- "São geniais" -Na semana passada, Trump assinou uma ordem para acabar com a separação das famílias, mas advogados especializados em imigração dizem que o processo de reunião será longo e caótico.

Quase 2.000 crianças foram separadas de seus pais, segundo números oficiais divulgados no fim de semana passado.

Um juiz federal ordenou ao governo que o reagrupamento seja feito em até 30 dias, e em duas semanas para as crianças menores de cinco anos.

A lentidão do processo e o anúncio do governo Trump de que a partir de agora as famílias inteiras seriam detidas, sem exceção pela presença de menores, provocam a ira da oposição democrata e o mal-estar de alguns republicanos.

Várias altas figuras democratas pedem há semanas o desmantelamento do ICE, incluindo o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, e a senadora por Nova York Kirsten Gillibrand, que chamou esta agência, que conta com o apoio de Trump, de "uma cruel força de deportação".

"Os democratas estão fazendo um grande esforço para suprimir o ICE, um dos grupos de homens e mulheres mais inteligentes, mais duros e com mais espírito da lei que eu já vi. Vi a ICE liberar cidades da tomada da (gangue) MS-13 e resolver as situações mais difíceis. São geniais!", tuitou Trump na manhã deste sábado.

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