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Internacional

França pede calma após distúrbios causados por morte de jovem pela polícia

04/07/2018 15h16

Nantes, França, 4 Jul 2018 (AFP) - As autoridades francesas pediram calma nesta quarta-feira (4) após uma noite de distúrbios em Nantes provocados pela morte de um jovem durante uma blitz policial.

Em três bairros de Nantes, cidade do oeste da França, jovens incendiaram vários veículos e parcialmente um centro comercial após um jovem de 22 anos ser morto por um policial durante a revista de seu veículo.

"O motorista estava sem o cinto de segurança, não carregava nenhum documento de identidade e forneceu um nome falso", indicaram fontes próximas à investigação.

"Os agentes perceberam que o veículo era vigiado pela polícia (...) como parte de uma investigação por tráfico de drogas. O motorista tentou fugir dando marcha à ré, mas atrás havia um agente. Foi neste momento que seu colega disparou", segundo as mesmas fontes.

O procurador da República em Nantes, Pierre Sennès, indicou nesta quarta à AFP que contra o jovem havia um mandado de prisão pendente desde 2017 por roubo.

O homem, atingido por uma bala na carótida, faleceu ao chegar ao hospital. O policial que atirou está recebendo atenção psicológica.

Vários moradores entrevistados pela AFP, no entanto, questionaram os argumentos de legítima defesa mantidos pela polícia. Segundo uma mulher, que pediu para não ser identificada e que filmou a ação da janela de sua casa, não havia "nenhum policial atrás do veículo". Outros afirmaram que o jovem "parou e entregou seus documentos".

A ministra da Justiça, Nicole Belloubet, pediu calma à população, prometendo "esclarecimentos" sobre as circunstâncias da morte do jovem.

A relação entre a polícia e os jovens nos subúrbios pobres da França, habitados principalmente por imigrantes ou descendentes destes, é difícil, especialmente desde que em 2005 dois adolescentes morreram eletrocutados quando fugiam da polícia, causando uma onda de distúrbios em todo o país.

O suposto estupro de um jovem negro com um cassetete em um subúrbio de Paris no ano passado também provocou confrontos com a polícia.

Breil, o bairro de Nantes onde o jovem foi morto na terça-feira à noite, é um distrito socialmente misto, com histórico de violência de gangues.

A polícia aumentou sua presença na área após uma série de incidentes violentos em 28 de junho. Malakoff e Dervallieres, os outros bairros afetados pelos distúrbios vivem problemas com drogas e pobreza há anos.

Um morador do bairro, Steven, 24 anos, disse à AFP ter "ouvido explosões (...) e fogo por todos os lados". "As pessoas corriam por todas as partes, havia carros em chamas, estavam quebrando tudo. Durou muito tempo".

Por volta das 03H00 (22H00 Brasília), a situação parecia mais calma nos três bairros envolvidos e segundo um oficial da polícia, não ocorreram detenções.

O ministro do Interior, Gérard Collomb, condenou os distúrbios "com máxima firmeza".

"Corresponde à justiça, e unicamente à justiça, esclarecer as circunstâncias da morte do motorista", apontou o ministro.

A Inspeção Geral da Polícia Nacional (IGPN) e as autoridades judiciais abriram uma investigação para determinar as razões que levaram o policial a recorrer a sua arma.

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