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Paquistão se prepara para eleições legislativas

24/07/2018 11h41

Islamabad, 24 Jul 2018 (AFP) - As autoridades e o poderoso Exército paquistanês acertavam, nesta terça-feira (24), os últimos preparativos em vista das eleições legislativas previstas para quarta-feira (25).

Vários militares acompanhavam e observavam com atenção os membros das Comissão Eleitoral que distribuíam as urnas e material eleitoral entre os colégios eleitorais, constatou a AFP em várias cidades do país.

As Forças Armadas mobilizaram cerca de 370.000 soldados em todo o país para assegurar o bom desenrolar da votação - a maior operação do gênero na história do Paquistão para um dia de eleição.

Cerca de 450.000 policiais também estarão mobilizados para esta votação, segundo as autoridades eleitorais.

Na véspera da eleição, os habitantes de Lahore, capital da província do Pendjab, a mais populosa do país, pareciam divididos entre a Liga Muçulmana Paquistanesa (PML-N) e o Tehreek-e-Insaf (PTI, "Movimento para a Justiça") do popular ex-jogador de críquete Imran Khan.

Os resultados da votação parecem difíceis de prever neste estágio, aponta Bilal Gilani, diretor do instituto de pesquisa Gallup Pakistan, notando que muitos eleitores continuam indecisos. "Ainda está muito aberto", comentou para a AFP.

Os partidos políticos encerraram na segunda-feira (23) à noite seus compromissos eleitorais públicos, uma vez que são proibidos na véspera do voto.

Imran Khan, que dirige o Tehreek-e-Insaf e que figura entre os favoritos, lançou um apelo aos seus eleitores, pedindo que "acordem cedo na quarta-feira e saiam para votar", diante de milhares de partidários em Lahore.

"A vitória é certa", declarou, por sua vez, seu rival Shahbaz Sharif, que substituiu seu irmão Nawaz, preso por corrupção, à frente da Liga Muçulmana (PML-N), no sul de Pendjab.

"Contra todas as expectativas, o PML-N está em boa posição para vencer as eleições", afirmou, enquanto o partido diz estar sendo perseguido pelo Exército e pela Justiça, em detrimento do PTI de Imran Khan.

A campanha eleitoral, de curta duração, mas extremamente dura, foi marcada por acusações de manipulações flagrantes pelo Exército, bem como pelo crescimento dos partidos religiosos extremistas e vários atentados que fizeram mais de 180 mortos, incluindo três candidatos.

No dia 12 de julho, um atentado em um comício eleitoral no Paquistão causou 149 mortos, tornando-se o segundo mais sangrento na história do país. Reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), o ataque foi o terceiro contra um comício na mesma semana no Paquistão.

A Comissão Eleitoral paquistanesa autorizou aos soldados amplo acesso e poderes nos colégios eleitorais, alimentando os temores de uma interferência.

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