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Imran Khan deverá buscar alianças para governar o Paquistão

27/07/2018 11h08

Islamabad, 27 Jul 2018 (AFP) - O partido do ex-jogador de críquete Imran Khan venceu as eleições legislativas de quarta-feira (25) no Paquistão, segundo resultados parciais divulgados nesta sexta-feira (27), mas deverá buscar alianças para conseguir uma maioria.

O Tehreek-e-Insaf (PTI) conquistou pelo menos 114 cadeiras, quase o dobro do segundo partido mais votado, de acordo com os resultados publicados pela Comissão Eleitoral do Paquistão (ECP), após mais de 80% dos votos apurados e restando apenas uma dúzia de assentos a serem atribuídos.

O principal rival do PTI, o partido PML-N, conta com 62 assentos, e o Partido Popular Paquistanês (PPP) de Bilawal Bhutto-Zardari, com 43, segundo a ECP.

Imran Khan proclamou na quinta-feira ser o vencedor dessas eleições que foram marcadas por inúmeras acusações de fraude e uma apuração muito lenta.

Para formar um governo no Paquistão, uma maioria de 137 assentos é necessária, mas, por enquanto, não se sabe se o seu partido conseguirá atingir essa meta. Se não for bem-sucedido, terá de buscar aliados entre os deputados independentes, ou formar uma coalizão.

Vários partidos denunciaram fraudes. A ECP rejeitou as acusações e atribuiu o atraso na publicação dos resultados a problemas técnicos. "As eleições se deram de maneira equitativa e livre", proclamou.

Uma ONG paquistanesa, a Rede para Eleições Livres e Justas (FAPEN), que empregou cerca de 20.000 observadores, fez uma avaliação globalmente favorável.

"O dia da votação foi mais bem administrado, relativamente pacífico e sem muita polêmica até a noite, quando havia preocupações sobre a transparência", declarou à imprensa seu secretário-geral, Sarwar Bari.

As missões de observadores da União Europeia e da Commonwealth devem publicar nesta sexta seus primeiros relatórios.

A campanha foi considerada por alguns observadores como uma das mais "sujas" da história do país, devido à suposta interferência dos militares para favorecer Khan.

Em sua defesa da vitória na noite de quinta-feira, Khan, então autoconfiante, adotou um tom conciliatório e foi marcado por referências religiosas.

Ao reivindicar a vitória na quinta à noite, Khan adotou um tom conciliador.

"Tivemos êxito e recebemos um mandato", declarou Irman Khan, 65 anos, em uma declaração televisiva na sede de seu partido em Bani Gala, próximo de Islamabad.

As eleições foram "as mais justas e as mais transparentes", afirmou, prometendo "um novo Paquistão e um Estado de bem-estar islâmico".

Realizadas sob um forte esquema de segurança, as eleições de quarta-feira constituíam uma incomum transição democrática entre dois governos civis, neste jovem país com um passado marcado pelos golpes de Estado militares. Potência nuclear, o Paquistão esteve dirigido pelas Forças Armadas quase metade de seus 71 anos de história.

O partido PML-N ainda não reagiu ao discurso de Khan. Seu líder Shahbaz Sharif, irmão do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, denunciou na quarta-feira "fraudes flagrantes que fazem o Paquistão retroceder 30 anos".

O chefe do clã, Nawaz Sharif, atualmente preso por corrupção, não se pronunciou.

A liderança do partido iniciou consultas para determinar a estratégia a adotar nos próximos dias, disse um dos líderes à AFP.

O PPP, cujo líder Bilawal Bhutto-Zardari também denunciou disfunções, consultará as outras siglas para desenvolver uma estratégia conjunta, segundo um porta-voz.

Pelo menos uma legenda, o partido extremista Tehreek-e-Labaik Pakistan (TLP), que bloqueou o principal acesso a Islamabad durante semanas em novembro, anunciou que iria convocar manifestações.

bur-ahe/jf/mra/pa/acc/mr/tt

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