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Partidos paquistaneses rejeitam vitória oficial de Imran Khan nas legislativas

27/07/2018 18h15

Islamabad, 27 Jul 2018 (AFP) - Um grupo de partidos políticos paquistaneses rejeitou nesta sexta-feira (27) a vitória anunciada oficialmente, segundo resultados parciais, do ex-jogador de críquete Imran Khan, e anunciaram protestos para pedir novas eleições.

O Pakistan Tehreek-e-Insaf (PTI), de Kahn, obteve pelo menos 116 assentos, muito mais que seus adversários, que não podiam mais alcançá-lo, segundo resultados parciais publicados pela Comissão Eleitoral Paquistanesa (ECP), quando resta apenas atribuir um punhado de cadeiras.

Imran Khan, candidato bem visto pelo poderoso exército paquistanês, proclamou-se na quinta-feira vencedor destas eleições, marcadas por várias acusações de fraude e uma apuração extremamente lenta.

Uma dúzia de partidos, entre eles o até agora governista Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), anunciaram um movimento de protesto após uma reunião.

"Iniciaremos um movimento para pedir novas eleições. Haverá protestos", explicou Maulana Fazalur Rehman, desta Conferência de Partidos.

Rehman pertence ao partido religioso Jamiat Ulema-e-Islam (JUI-F).

Durante décadas, o Paquistão foi governado em alternância pelo PML-N e pelo Partido Popular Paquistanês (PPP).

O PML-N contará com 63 assentos e o PPP de Bilawal Bhutto-Zardari, com 43, segundo os resultados parciais.

A missão de observação da União Europeia deu conta, em seu informe preliminar, de uma "falta notável de igualdade e de oportunidades" nas eleições. "O processo eleitoral de 2018 não está à altura do de [as legislativas] de 2013", considerou o encarregado da missão, Michael Gahler.

A polêmica acompanha uma campanha que muitos observadores consideraram uma das mais sujas da história do país por causa das supostas manipulações do poderoso exército paquistanês a favor de Khan.

- Necessidade de alianças -Embora tenha registrado um resultado melhor que o esperado, o PTI de Kahn não poderá mais obter a maioria (137 assentos) necessária para formar governo. Terá, pois, que buscar aliados entre os deputados independentes ou formar uma coalizão com outros partidos.

Para o analista Talat Masood, isto não deveria ser complicado. "Não acho que haja problemas com relação a isto. Os independentes sabem que o 'establishment' [militar] tem boa disposição com Khan", declarou à AFP.

Segundo a especialista Ayesha Siddiqa, subestimou-se a popularidade de Khan junto à classe média, em plena ascensão.

Uma ONG paquistanesa, a Rede para Eleições Livres e Justas (FAPEN), que mobilizou 20.000 observadores, fez uma avaliação globalmente favorável.

"O dia da votação foi mais bem gerenciado, foi relativamente pacífico e sem grande polêmica até a noite, quando surgiram inquietações sobre a transparência do escrutínio", declarou à imprensa seu secretário-geral, Sarwar Bari.

No entanto, Washington compartilha as conclusões dos observadores europeus, indicou o Departamento de Estado, segundo as quais, "as evoluções positivas do marco jurídico foram ofuscadas" por "uma falta notável de igualdade de oportunidades nas eleições".

E embora o Departamento de Estado tenha expresso suas "inquietações pelas irregularidades" na campanha eleitoral, Washington se declarou disposto a trabalhar com o futuro governo.

Em sua reivindicação de vitória na noite de quinta-feira, Khan, que se mostrou então seguro de si, adotou um tom conciliador e marcado por referências religiosas.

"Tivemos êxito e recebemos um mandato", declarou Irman Khan, de 65 anos, desestimando as acusações de fraude. As eleições de quarta-feira foram "as mais justas e as mais transparentes" da história do Paquistão, afirmou.

Khan prometeu forjar um "novo Paquistão" e um "Estado de bem-estar islâmico", assim como lutar contra o "câncer" da corrupção e contra a pobreza.

- O papel dos militares -Mas para os analistas, as circunstâncias nas quais foi realizada a campanha eleitoral e o voto lançam uma sombra sobre a legitimidade dos resultados e pode gerar instabilidade.

"Ninguém pode governar de forma eficaz quando metade do país acredita que chegou ao poder depois de uma manipulação dos militares e da justiça ao invés do voto do povo", avaliou um ex-diplomata, Hussain Haqani.

As eleições de quarta-feira, realizadas sob forte medidas de segurança, constituíam uma incomum transição democrática entre dois governos civis neste jovem país, marcado por golpes de Estado militares.

Potência nuclear, o Paquistão foi dirigido pelas Forças Armadas durante quase a metade de seus 71 anos de história.

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