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Primeiros contatos em Damasco entre o regime e curdos apoiado pelos EUA

27/07/2018 14h00

Damasco, 27 Jul 2018 (AFP) - Uma coalizão de milícias árabe-curda, apoiada pelos Estados Unidos, começou nesta sexta-feira, em Damasco, a analisar com o regime de Bashar al Assad o futuro das vastas regiões sob controle curdo na Síria, os primeiros contatos desse tio desde o início da guerra em 2011.

O regime, que tem acumulado vitórias contra os rebeldes e jihadistas, em grande parte graças ao apoio da Rússia, travou poucas batalhas contra a minoria curda, que adotou uma posição de "neutralidade" no conflito.

Os curdos da Síria, oprimidos durante anos pelo poder, instituíram uma autonomia de facto em suas regiões do norte e nordeste do país após a retirada das forças sírias no início do conflito, em 2011, o que agora representa 30% do território, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

O regime está desconfortável com essa autonomia.

Os curdos têm a sua própria força policial, bem como escolas onde o curdo é ensinado. Durante o conflito, criaram as Forças Democráticas da Síria (FDS), que se tornou a primeira força de combate ao grupo jihadista Estado Islâmico, apoiada pela coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

O Conselho Democrático Sírio, o braço político das FDS, enviou a Damasco seus representantes para negociar com o regime, dois meses após Assad ameaçar usar a força para reconquistar os territórios curdos.

Composta por líderes políticos e militares, a delegação "realiza pela primeira vez uma visita oficial a Damasco, à convite do governo", disse à AFP o co-presidente do Conselho, Riad Darar.

- 'Direitos culturais' -Os curdos buscam com essas negociações preservar ao máximo sua situação e evitar um conflito com o regime que, com o apoio da Rússia e do Irã, conseguiu reconquistar mais de 60% do país.

As negociações poderiam incidir sobre a forma de "facilitar a entrada dos militares nos territórios predominantemente curdos a leste do Eufrates e o retorno das instituições do Estado", indicou em referência a todas as regiões controladas pelos curdos. Isso em troca de um "reconhecimento pela Constituição dos direitos culturais" dessa minoria.

No final de maio, Assad, que regularmente critica o apoio americano aos combatentes curdos, ameaçou lançar uma ofensiva contra as FDS, sem excluir a possibilidade de negociações.

"Vamos pavimentar primeiro o caminho das negociações uma vez que a maioria dos membros (das FDS) são sírios. Se isso não funcionar, vamos libertar nossos territórios pela força. Não temos escolha", disse ele.

Pouco tempo depois, o Conselho Democrático Sírio indicou que estava disposto a iniciar "negociações incondicionais" com o regime. Em meados de julho, afirmou que estava estudando a criação de uma entidade para representar os territórios curdos autônomos com essa perspectiva e para se encontrar com membros da oposição tolerada por Damasco.

- Turquia hostil -No norte e nordeste, nas fronteiras com a Turquia e o Iraque, a comunidade curda controla vastas áreas de território abrangendo as províncias de Aleppo e Raqa, mas também de Deir ez-Zor e Hassake, onde existem depósitos significativos de hidrocarbonetos.

Em 2016, eles proclamaram uma "região federal", que administra os territórios controlados pelos curdos e que representam 15% da população.

A milícia curda, Unidades de Proteção do Povo (YPG), é a espinha dorsal das FDS.

A Turquia, hostil às facções curdas, forçou as YPG a deixar a cidade de Manbij, perto da fronteira turca, depois de ameaçar lançar uma ofensiva.

Em março, as Forças Armadas Turcas e as milícias sírias conquistaram o enclave curdo de Afrin (noroeste).

Com o apoio da coalizão internacional, as FDS continuam a combater o Estado Islâmico na província de Deir Ezzor.

O conflito na Síria se tornou cada vez mais complexo ao longo do tempo, com múltiplos atores e potências envolvidos. Desde 2011, causou mais de 350.000 mortes e milhões de pessoas deslocadas.

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