Escândalo envolvendo juízes pode reativar caso Odebrecht no Peru

Lima, 10 Ago 2018 (AFP) - O escândalo envolvendo juízes no Peru pode revelar ligações com o caso Odebrecht, fazendo com que a procuradoria reative o caso que atinge quatro ex-presidentes peruanos, avaliou nesta sexta-feira o jornalista Gustavo Gorriti, diretor do site investigativo IDL-Reporteros, que denunciou a farra no Judiciário.

"Se as investigações avançarem, vão revelar muita informação e comprometer muita gente que até o momento não foi atingida", disse Gorriti.

O caso Odebrecht deve ser retomado com a recente renovação de um acordo de cooperação com a procuradoria brasileira.

Os meios judiciais consideram que o acordo fechado em julho entre as procuradorias de Brasil e Peru, que inclui imunidade para os funcionários da Odebrecht no Peru em troca de cooperação, será um tônico revitalizador na investigação.

O acordo passou quase despercebido em meio às denúncias da imprensa envolvendo gravações de conversas entre juízes que revelaram vendas de sentenças e tráfico de influência.

- 'Lava Jato' x 'Lava Juiz' -"Teremos muitos áudios. Será a 'audiolândia' e apenas uma grande revelação trará de volta (o caso) Odebrecht", disse à AFP o politólogo Juan de la Puente. Mas este cenário pode estar mais perto do que se pensa.

A imprensa peruana batizou o escândalo dos áudios de 'Lava Juiz', em referência à 'Lava Jato' brasileira.

"A enxurrada de dados que deve vir do Brasil vai mudar o que sabemos sobre o caso Odebrecht", avaliou Gorriti, que prevê um impulso no caso. "Mas para tal é importante que o 'Lava Juiz' avance bem e rapidamente".

Há suspeitas de que juízes e procuradores envolvidos no escândalo dos áudios tenham ajudado investigados no caso Odebrecht.

A ironia é que o novo procurador-geral peruano, Pedro Gonzalo Chávarry, poderá ser destituído pelo Congresso devido ao escândalo dos áudios, levando a eventual queda do procurador Rafael Vela, novo encarregado do caso Odebrecht.

Chávarry é acusado de ter mentido a uma comissão parlamentar que investiga o escândalo dos áudios.

O escândalo já provocou a renúncia do presidente da Suprema Corte, Duberlí Rodríguez, e a destituição do ministro da Justiça, Salvador Heresi.

O caso Odebrecht marcou em dezembro passado o início do fim do governo de Pedro Pablo Kuczynski, após o grupo revelar o pagamento de quase cinco milhões de dólares a empresas ligadas ao político.

Os três antecessores de Kuczynski também foram arrastados pelo escândalo Odebrecht: Alan García (2006-2011), Ollanta Humala (2011-2016) e Alejandro Toledo (2001-2006).

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