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Mais corpos de vítimas são achados nos escombros da ponte de Gênova; mortos chegam a 41

Estrutura desabou em Gênova, na Itália, na última quarta-feira (15) - Luca Zennaro/Efe
Estrutura desabou em Gênova, na Itália, na última quarta-feira (15) Imagem: Luca Zennaro/Efe

AFP*

18/08/2018 09h43

As equipes de resgate encontraram mais corpos em um carro esmagado sob um bloco de concreto da ponte de Gênova, informou neste sábado (18) os serviços de Defesa Civil da cidade italiana. Dessa forma, sobe para 41 o número de mortos na tragédia ocorrida na última quarta-feira (15), quando parte de uma ponte desmoronou na cidade.

Os socorristas não quiseram informar o número preciso, mas a imprensa italiana divulgou que as vítimas encontradas seriam um casal e uma menina de 9 anos, que estariam em um dos carros que caíram com o desabamento do viaduto. Os corpos precisam ser identificados, mas acredita-se que possam ser da família Cecala, da qual não há mais notícias desde a última terça-feira, quando parte da ponte Morandi desabou.

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Funeral coletivo

Enquanto isso, a Itália começou a realizar um funeral de Estado pelas vítimas, na presença de dirigentes políticos, mas boicotado pela metade das famílias dos mortos confirmados. Em um imenso salão de Gênova, transformado em capela, foram alinhados 18 caixões.

Muitos familiares, no entanto, optaram por funerais privados para se despedir de seus entes depois de acusar as autoridades estatais de serem responsáveis pela tragédia.

O presidente italiano, Sergio Mattarella, os presidentes das duas câmaras do Parlamento, o chefe do governo e a maioria dos ministros e delegações estrangeiras participam da cerimônia fúnebre. Também estava presente a direção da Austostrade per l'italia, a sociedade gestora da rodovia onde ocorreu a tragédia.

O governo decretou luto nacional para este sábado, e as bandeiras dos prédios públicos foram colocadas a meio mastro e os monumentos nacionais - como o Coliseu, a Fontana de Trevi e a Praça do Capitólio de Roma - apagaram suas luzes.

A liga italiana de futebol, que celebra neste fim de semana sua primeira rodada do campeonato 2018/19, suspendeu as partidas que seriam disputadas pelas duas equipes de Gênova, a Sampdoria e a Genoa. Em todos os estádios será respeitado um minuto de silêncio e os jogadores usarão uma braçadeira preta em sinal de luto.

O acidente

Ao menos 30 carros e três veículos pesados caíram de uma altura de 45 metros quando o trecho da ponte desabou numa zona industrial de Gênova, em meio a fortes chuvas. Na quinta-feira (16), o procurador de Gênova, FrancescoCozzi, admitiu que podem existir de 10 a 20 pessoas ainda soterradas nos escombros. O governo da Itália afirmou ser "inevitável" que o número de mortos aumente, à medida que os trabalhos de resgate prosseguem.

Entre os 15 feridos contabilizados, 10 ainda permaneciam hospitalizados na sexta-feira (17), dos quais seis em estado grave.

O executivo italiano exigiu a demissão da direção da empresa Autostrade per l'Italia, e atribuiu parte da responsabilidade da tragédia às restrições orçamentais impostas pela União Europeia.

O Ministro dos Transportes da Itália, Danilo Toninelli, prevê uma multa de até 150 milhões de euros para a Autostrade per l'Italia, que opera quase metade das rodovias italianas. Também é possível que o governo revogue todas as outras concessões de rodovias da companhia, acusada de falhar em realizar obras de manutenção necessárias na ponte, disse um porta-voz do ministério.

A Autostrade per l'Italia rebateu acusações de que seus trabalhos de manutenção tenham sido insuficientes, argumentando que investiu mais de um bilhão de euros anuais em "segurança, manutenção e em fortalecer a rede" desde 2012.

A companhia também contestou o governo por ameaçar revogar contratos "sem nenhuma verificação das causas materiais do acidente". A concessionária alertou que, neste caso, o governo teria que reembolsar ao grupo o valor do contrato, que se estende ao menos até 2038.

*Com Deutsche Welle