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Notícias falsas adicionam confusão ao drama das inundações na Índia

22/08/2018 18h25

Cochim, Índia, 22 Ago 2018 (AFP) - Cristiano Ronaldo não doou 11 milhões de dólares ao fundo de desastres de Kerala e não há fissuras em uma represa importante da zona, mas a fábrica de notícias falsas da Índia segue trabalhando horas extras para alimentar a confusão e o medo.

O governo do estado de Kerala e o exército da Índia emitiram advertências sobre algumas mensagens falsas e virais nas redes sociais, enquanto enfrentam as sequelas das inundações que deixaram 420 mortos.

O dilúvio de notícias falsas, vídeos e reclamações ocorre em um momento em que o governo indiano intensificou a pressão sobre o Facebook, WhatsApp e outras plataformas para agir contra as chamadas "fake news", acusadas de estar na origem de mais de 20 linchamentos nos últimos três meses.

Algumas destas mensagens falsas foram relativamente inofensivas. Por exemplo, a estrela do futebol português, Cristiano Ronaldo, com frequência é vinculado a doações astronômicas depois de alguma catástrofe que chega às manchetes internacionais.

Mas os sites indianos de verificação de informação, como Boomlive.in, ressaltaram o fato da enorme quantidade de pessoas que estão utilizando a suposta doação de Cristiano Ronaldo para criticar a resposta do governo federal à crise das chuvas torrenciais que inundaram esse estado.

O governo central prometeu até agora quase 100 milhões de dólares em ajuda.

- Rumores falsos na ordem do dia - O primeiro-ministro de Kerala, Pinarayi Vijaran, teve de desmentir no Twitter um vídeo viral que afirmava que havia fissuras na represa Mullaperiyar no distrito Idukki de Kerala.

No vídeo falso, um homem não identificado cita um suposto amigo no escritório do primeiro-ministro Narendra Modi, e diz que em três horas a área circundante será inundada.

"Quero informar a todos que o governo estatal tomará medidas muito estritas contra essas pessoas", disse Vijayan em referência aos autores do alarme falso na represa.

O exército indiano desmentiu outro vídeo onde se vê um homem com uniforme militar falando das operações de ajuda e batendo no primeiro-ministro de Kerala.

"Um impostor que veste uniforme de combate do exército aparece em vídeos que difundem desinformação sobre os esforços de resgate e socorro", tuitou o exército, e instou a cidadania a informar às autoridades sobre notícias suspeitas.

Em outro caso, uma imagem de um estacionamento inundado em uma concessionária da Renault na cidade principal de Kochi resultou ser uma foto velha.

Nos últimos meses, uma série de mensagens falsas sobre sequestradores de crianças que supostamente haviam sido vistos em alguns povoados proliferaram em plataformas como WhatsApp, que tem mais de 200 milhões de usuários na Índia.

Multidões se juntaram para atacar os supostos sequestradores, e desde junho mais de 20 pessoas inocentes foram assassinadas em linchamentos por esses falsos rumores.

O Facebook está pesquisando exaustivamente como combater as fake news na Índia e em outros países, contratando equipes para rastrear conteúdo e se associando com grupos de verificação de fatos, informaram seus responsáveis.

O governo indiano exigiu que o WhatsApp, propriedade do Facebook, tome medidas drásticas contra as fake news, em conversas que aconteceram esta semana com seu presidente executivo, Chris Daniels.