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Buscas em propriedades de Cristina Kirchner prosseguem na Argentina

24/08/2018 18h14

Buenos Aires, 24 Ago 2018 (AFP) - As batidas nas residências de Cristina Fernández de Kirchner, suspeita de comandar um estendido sistema de corrupção durante sua Presidência, entre 2007 e 2015, prosseguiam nesta sexta-feira (24) com uma batida em sua casa de veraneio em El Calafate, no extremo sul da Argentina.

As buscas começaram no meio da tarde, a cargo dos mesmos peritos que na quinta-feira revistaram outra de suas residências em Río Gallegos, a 300 km de distância, segundo a imprensa local.

Trata-se de uma casa de dois andares com jardim, localizada em frente à imponente geleira Perito Moreno.

Realizadas a pedido de um juiz com forte mobilização policial e transmitidas ao vivo pela TV, as operações começaram na quinta-feira e visam a contrastar os espaços internos das casas com relatos de acusados que fizeram delação premiada no âmbito deste processo judicial. Também servem para comparar as plantas e para escanear paredes e teros.

A outra residência revistada foi o apartamento de Cristina no sofisticado bairro de La Recoleta, em Buenos Aires, em um procedimento que se estendeu por 13 horas e terminou na madrugada desta sexta.

A batida em Buenos Aires chamou a atenção de dezenas de jornalistas, que transmitiram durante horas a movimentação na porta do prédio, e também a mobilização de partidários da ex-presidente, que foram expressar seu apoio.

- "As coisas que nos faltam" -Cristina Kirchner, que governou a Argentina entre 2007 e 2015, e agora ocupa um assento no Senado, é a pessoa de mais alto escalão investigada no caso conhecido como "os cadernos da corrupção", que implica uma dezena de ex-funcionários kirchneristas e cerca de trinta altos empresários.

O esquema de propinas, contado em detalhes em uma série de diários feitos por um motorista do ministro do Planejamento e que terminaram nas mãos da Justiça, também abarca o mandato do falecido ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), marido de Cristina.

Segundo estas anotações, empresários do setor da construção entregaram incontáveis bolsas com dólares em dinheiro vivo em troca de contratos de obras públicas. O casal Kirchner teria sido o principal beneficiado.

Os cálculos iniciais apontam a propinas de 160 milhões de dólares. Na lista de envolvidos aparece, os nomes de conhecidos empresários, de Carlos Wagner, presidente da Câmara da Construção, a Angelo Calcaterra, primo do presidente Mauricio Macri.

Em um momento de crise econômica, com inflação projetada de 30% este ano e a queda da atividade econômica, os relatos sobre milhões de dólares escondidos irritam a opinião pública.

O presidente Macri referiu-se indiretamente ao caso nesta sexta-feira, durante ato em Tucumán (norte) no qual disse que "vendo tudo o que aconteceu, entendemos porque faltam as rotas que precisamos, os portos ou mais energia".

"O dinheiro da corrupção explica as coisas que nos faltam e os desafios que temos", acrescentou o presidente, que conduz um ajuste fiscal de acordo com o Fundo Monetário Internacional.

Cristina Kirchner, a personalidade de maior destaque da fragmentada oposição argentina, alega ser vítima de uma campanha de perseguição política e compara seu caso com o do ex-presidente Lula, preso desde abril por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

- "Abuso de autoridade" -As batidas exigiram a aprovação do Senado, visto que Kirchner, eleita senadora em 2017, tem foro privilegiado.

Sua imunidade como senadora impede que seja presa, embora possa ser acusada e condenada.

Carlos Beraldi, advogado de Kirchner, denunciou nesta sexta por abuso de autoridade e violação dos deveres de funcionário público o juiz Bonadio, que não autorizou sua presença durante a revista no apartamento de Buenos Aires.

"Na hora de uma revista, quem abre a porta, quem se notifica, tem o direito de estar presente. Pela expulsão de Beraldi, é nulo", disse nesta sexta-feira à C5N Alberto Fernández, ex-chefe de Gabinete de Cristina Kirchner.

Kirchner passou a noite de quarta na casa da filha, Florencia, em outro bairro da capital argentina, sem voltar ao apartamento da Recoleta, nem fazer declarações públicas.

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